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22 de dez de 2008

O HOMEN DE NAZARETH


O Homem de Nazareth
(Publicado no Jornal de Hoje)
* Juarez Chagas


Nada mais do que oportuno falar, nesta época natalina, do legado que Jesus Cristo deixou à humanidade no que diz respeito ao seu contexto renovador, para não falar, especificamente, da importância da cristandade entre os homens, e também lembrar sua fonte de inspiração poética.

Independentemente de espiritualidade, religião, e toda a sua infinita bondade, Jesus Cristo também foi o maior filósofo e revolucionário de todos os tempos. Assim sendo, os simples mortais ditos revolucionários, por menos comparações que se possa fazer com Ele ou com inspirações advindas d’Ele, às vezes conseguiam (e conseguem) transmitir momentos destas inspirações. Muitos artistas e cantores, em todo o mundo, em momentos sagrados de reflexões, inspiraram-se nas lições de Cristo, resultando em belas canções e melodias que, agradam não somente aos ouvidos, mas também à alma e ao coração.

No Brasil, dentre esses artistas e cantores, é claro, lembramos logo de Roberto Carlos, que fez até o Papa João Paulo II entoar “Jesus Cristo”, durante a sua visita ao Brasil. Porém, existem outros artistas pop para quem Jesus Cristo foi grande inspiração musical, dos quais não podemos esquecer, como Antonio Marcos, por exemplo.

Antonio Marcos Pensamento da Silva (1945-1992) foi cantor pop, romântico e da Jovem Guarda, tendo sido também, por vezes, companheiro da dupla Erasmo e Roberto Carlos. A propósito, “Como Vai Você?", gravada por Roberto Carlos (regravada por Maria Bethânia, Zezé Di Camargo e Luciano e outros) e que muitos pensam ser de autoria de RC, vendeu mais de 700 mil discos no auge dos anos 60. Além de O Homem de Nazareth, Antonio Marcos cantou também Eu Queria Tanto Falar com Deus e Oração de Um Jovem Triste (75), todas de sentido religioso e de Fé Cristã.

A vida pessoal de Antonio Marcos foi um tanto confusa e conturbada, pois o mesmo consumia álcool abusivamente, o que afetou não somente seu organismo, mas também sua carreira artística e pessoal. Casou em 1972 com a cantora Vanusa e depois com a atriz Débora Duarte, sendo, portanto pai de Paloma Duarte. Esteve doente várias vezes e antes de falecer, esteve internado em Natal, na Casa de Saúde São Lucas, antes de retornar à São Paulo, onde finalmente não superou a doença.

Antonio Marcos foi um dos importantes cantores do Brasil, principalmente no que diz respeito à música pop e à época dos Anos Dourados, onde era um dos mais aclamados pelo povo e pela mídia. Quanto à música O Homem de Nazareth, que eu me lembre, ele cantou com inspiração e fervor e conduziu muita gente a essa mesma inspiração de Fé Cristã associada à inspiração jovem. Confira nas duas estrofes seguintes o teor de sua mensagem:


O Homem de Nazareth
(Antonio Marcos)

Mil novecentos e setenta e três
Tanto tempo faz que ele morreu
O mundo se modificou
Mas ninguém jamais o esqueceu
E eu sou ligado no que Ele falou
Sou parado no que Ele deixou
O mundo só será feliz
Se a gente cultivar o amor

Hey irmão, vamos seguir com fé
Tudo que ensinou o Homem de Nazaré (bis)
Reis e rainhas que esse mundo viu
Todo o povo sempre dirigiu
Caminhando em busca de uma luz
Sob o símbolo de sua cruz
E eu sou ligado no que Ele falou
Sou parado no que Ele deixou
O mundo só será feliz
Se a gente cultivar o amor
Hey irmão, vamos seguir com fé
Tudo que ensinou o Homem de Nazaré (bis)

Ele era um Deus mas foi humilde o tempo inteiro
Ele foi filho de carpinteiro
E nasceu em uma manjedoura
Não saiu jamais muito londe de sua cidade
Não cursou nenhuma faculdade
Mas na vida Ele foi doutor

Ele modificou o mundo inteiro
Ele modificou o mundo inteiro
Ele modificou o mundo inteiro
Ele revolucionou o mundo inteiro

Hey irmão, vamos seguir com fé
Tudo que ensinou o Homem de Nazaré (bis)

Desejamos a todos os nossos leitores e nossas leitoras UM FELIZ NATAL e um FELIZ ANO NOVO! E que sigam com Fé na busca de seus sonhos e ideiais.

Professor do Centro de Biociência da UFRN (Juarez@cb.ufrn.br)

16 de dez de 2008

ANIMAIS IRRACIONAIS(SOMOS TODOS MEIO)

Animais Irracionais, nós os homens somos todos Meio...
(Publicado no O Jornal de Hoje)
* Juarez Chagas

“Animais, animais
Nós os homens somos todos meio
Animais irracionais
Levantamos, guerreamos e deitamos e rezamos antes
A vida é um sonho e nada mais!
Oh, cantem atrás...”

Quem era adolescente nos anos 70 que acompanhava o movimento musical da época (por sinal eu era um deles) e que, no mínimo, conhecia o refrão acima, da música de Dom & Ravel “Animais Irracionais (somos todos meio)”, sabia que esta talvez tenha sido a música-protesto mais forte da década e mais um veículo de contestação bem aceito pelos jovens sempre dispostos a alfinetar o “sistema” e a burguesia social e etc e tal.

A música, sucesso nacional indiscutível, batia forte na ditadura e nos poderosos especuladores (tanto nacionais quanto internacionais, no nosso Brasil) que exploravam os pobres e oprimidos, arranjando sempre uma forma de burlar o fisco, coisa que o cidadão comum e honesto não fazia e ainda tinha seu “imposto de renda” (que renda?) deduzido direto do contracheque. Era “contra”cheque mesmo. Aliás, ainda hoje é assim. Na verdade, quem impulsiona a máquina do governo é o povo que paga seu imposto, que em contra-partida, lhe devolve uma educação ruim, saúde idem...(pra citar somente esses dois bens dos quais qualquer nação deveria se orgulhar).

Mas, retomando a trajetória musical desta dupla de irmãos cearenses, a qual é rica e contraditória, igualmente, pois, à primeira vista, tanto parecia cantar e enaltecer valores defendidos pela Direita, como ao mesmo tempo protestavam contra a ganância, injustiça e humilhação contra o ser humano, principalmente os mais carentes, humildes e indefesos.

Na verdade, sobre a questão de terem sido taxados de traidores comprados pela Direita por causa das músicas como Eu Te Amo Meu Brasil e outros sucessos como Você Também é Responsável e Obrigado, Homem do Campo, usadas na virada dos anos 70, em pleno auge da ditadura, pelo governo militar, o próprio Ravel diz hoje que não foi nada disso e que apenas como Dom era um cara visionário, resolveu seguir uma das influências dos Beatles que, para confundir a sociedade, no meio da maior revolução musical do mundo, usaram um marketing voltado ao patriotismo, ao usarem camisas estampadas com a Bandeira do Reino Unido e outros símbolos patrióticos, apontando que o país era dos jovens. Então a dupla brasileira adotou também essa linha e fez “Eu te Amo Meu Brasil” movida pela comoção nacional durante a Copa de 70.

Ocorreu que Eu te amo meu Brasil foi tão marcante que chegou a ser cogitada para se tornar o novo hino nacional e transformou-se num símbolo do país durante o período em que se alardeava o milagre brasileiro e se comemorava os bons resultados do futebol e da campanha do governo militar. Não deu outra: a dupla passou a ser vista como “protegidos” pelo “sistema”. Outra música usada pelo Governo foi “Você Também é Responsável”, lançada em 1971, que tornou-se, na época, Hino do Mobral, (Movimento Brasileiro de Alfabetização).

Mas, o outro lado da moeda, viria em seguida, mais precisamente em 1974, quando cansados de serem acusados de puxa-sacos do governo, os dois irmaãos compusera e cantaram “Animais Irracionais (somos todos meio)” . A música foi proibida pela censura e o disco recolhido de todas as rádios do Brasil, sendo liberada apenas posteriormente. Agora a dupla se via em maus lençóis, pois era censurada tanto pela Direita, quanto pela Esquerda, um fato inédito no mundo da música, o qual nenhum artista, certamente, gostaria de ter em seu currículo.

Há, politicamente, uma analogia feita entre a dupla e Vandré, tido este como ícone da Esquerda, mas também, de certa forma, dito por muitos, ter sido “protegido” pelos saudosos militares, mas que por outros críticos, teriam feito tanta lavagem cerebral no cantor revolucionário que quase enloquecera. Na realidade, não sabemos até onde essas colocações são realmente verdadeiras. Só mesmo os protagonistas sabem como foi tudo isso, guardando para eles mesmo, a verdade.

A dupla Dom & Ravel fez tanto sucesso que muitas de suas composições foram gravadas por artistas famosos, como Moacir Franco, Wanderley Cardoso, Ed Carlos, Vanusa, Wanderléia, Os Incríveis, Nalva Aguiar, Jerry Adriani. Antônio Marcos, Nelson Ned, Sérgio Reis, Martinha, Eduardo Araújo, Os Caçulas, Demônios da Garoa, Lafayette, Luís Burdon, Leila Silva, Os Selvagens, Os Vips, Os Bichos, Os Moscas, The Big Seven, Som Bateau, supersônicos, The Battons, Trio Esperança, Mário Zan, Velhinhos Transviados, Os Caretas, Orlando Ribeiro, Arnaud Rodrigues, Marta Mendonça, Agnaldo Rayol, Francisco Petrônio, Coral Johab, Barros de Alencar, Joelma, Madrugada e seu conjunto, Alladin Band, Jair Rodrigues, Roberto Leal, entre outros, a maioria deles do elenco da Jovem Guarda. Já no exterior, alguns países também regravaram muitos de seus sucessos, como Angola, Venezuela, Argentina, Bolívia, Espanha, França, Itália, Portugal, México, El Salvador, Holanda.

Dom faleceu em 2000, acabando dessa forma com a existência da banda que, cantava tanto o patriotismo quanto protestos, igualmente. Talvez, tenha sido ingênua e, alguns percursos, mas nada que desabone sua verdadeira trajetória, pois é rico e genuíno o legado que nos deixou, merecendo, portanto, nossa homenagem, por ter cantando com o coraçao aberto para o povo.

Se você não conhece a letra da canção, veja e sinta o que ela tem a ver conosco e o que nós temos a ver com ela:

Animais Irracionais(Somos Todos Meio)
Dom & Ravel

Às vezes eu olho pra terra sem compreender
A luta dos seres humanos pra sobreviver


O grande açoitando o pequeno
Terceiros mandando apartar,
Mas na maioria das vezes o grande não quer parar.
Tem vezes que o desesperado se põe a pensar (a pensar)
Por que deve aos pés de um dos grandes se ajoelhar,
Eu passo por muitas igrejas pedindo respostas de Deus
Pra ele calado no espaço ouvir os lamentos meus.

(refrão)

Às vezes eu olho por cima do mundo e os maus (os maus)
Eu vejo vencendo na vida os mais altos degraus
Não querem ouvir nem falar dee fome, problemas e dor
Dos outros nem ao menos admitir ou supor.
E sempre eles acham que eles são certos demais (demais)
Dinheiro perdido em seus vícios não volta jamais,
Pequenos e grandes ladrões
No meio dos homens de bem
Que cruzam as ruas da vida matando ou roubando alguém

(refrão)

Na verdade, temos na letra dessa música o homem eclético, pois vemos nela sua antropologia, sociologia e sobretudo, sua sobrevivência pela “Seleção Natural” na sociedade moderna. Mas, o que há de mais forte nesse contexto é a frase “A Vida é um Sonho e nada mais”. O que seria a realidade, então?

* Professor do Centro de Biociências da UFRN(Juarez@cb.ufrn.br)

5 de dez de 2008

A CONQUISTA DA MORTE


A Conquista da Morte
(Publicado no O Jornal de Hoje)

* Juarez Chagas


Quando confrontamos as idéias dos dois grandes cientistas e estudiosos sobre a longevidade e morte do ser humano, na atualidade, William R. Clark e Alvin Silverstein (na ordem inversa), não há como realmente deixar de pensar nos avanços da ciência sobre a temporalidade do ser humano e de como será a vida no futuro próximo.

Dr. Alvin Silverstein, além de seus estudos e trabalhos no combate às doenças, principalmente cancerígenas, entre outros importantes estudos, foi fundador da Fundação para Pesquisa Contra a Doença e Morte (no início dos anos 70) e é um dos mais veementes combatentes contra a morte, que se conhece nos dias de hoje. Dentre seus vários artigos científicos e livros, escreveu Conquista da Morte (Conquest of Death, 1979) onde apresenta suas idéias, pesquisas e determinação em provar que o fim da morte é só uma questão de tempo, onde as ciências biomédicas triunfarão contra o declínio vital orgânico e, conseqüentemente, contra a finitude humana, o maior conflito existencial da humanidade.

Vejamos como Dr. Silverstein aborda essa possibilidade no 2º capítulo de seu revolucionário livro:
“A morte persistirá, mas será mais rara. As pessoas poderão viver durante centenas, até milhares de anos, possuindo mocidade vigorosa e mente ágil e ativa, durante toda a vida. Será a “idade de ouro” e teremos conseguido o que poderia ser chamado de emortalidade – condição na qual a “morte natural” não será inevitável.

Há de haver uma nova era na história humana. Num mundo de emortais, a vida há de adquirir nova significação e, pela primeira vez, preocupar-nos-emos genuinamente com a qualidade da vida. Lutaremos para banir a dor e a pobreza. Não haverá mais “velhos”, pois os conhecimentos que permitirão a conquista da morte hão de trazer consigo também a eterna juventude. Essa nova era pode chegar no nosso tempo”.

Com essas premissas, Dr. Silverstein cujos estudos e idéias são hoje corroboradas não somente pela neurociências, mas pelos mais recentes estudos biomédicos responsáveis pelas pesquisas sobre células-tronco, bioética e temporalidade do ser humano, as quais, aceitem ou não os mais céticos, defendem a idéia de que o fim da morte está próximo.

Por outro lado, sem conflitar, porém abordando uma linha igualmente importante, entretanto diferente, Dr. William Clark afirma em seu livro Sexo e as Origens da Morte (Sex and the Origins of Death, 1996) “Nós morremos porque nossas células morrem”
.


A princípio, o enunciado de Clark parece ser antagônico aos argumentos de Silverstein, por explicar que a morte do ser humano se dá através da morte celular, porém ao se avançar mais profundamente no entendimento desta constatação, fica claro a conclusão de ambos: se as células têm morte programada, o retardamento desta programação significa mais longevidade ou mantê-las vivas para sempre ou substituídas por células iguais é proporcionar o indivíduo a emortalidade. É isso que a ciência busca.

Uma questão interessante e da qual não podemos deixar de observar é que o ser humano adulto é composto de, aproximadamente, mais de cem trilhões de células individuais, em virtude do processo orgânico evolutivo da diferenciação celular, desencadeado durante a evolução embrionária. Hoje sabemos que cada tecido tem seu tempo de vida diferenciado um do outro, como por exemplo, sabemos que os mais resistentes são os tecidos ósseos e tegumento (nessa ordem), portanto, é de se esperar que, em condições normais e favoráveis, pereçam por último, em relação aos demais tecidos. Dessa constatação poderia surgir uma pergunta baseada nos estudos do Dr. Silverstein: seria suficiente, então, manter as células em seu estado normal, sem sofrerem degradação ou qualquer processo de degeneração para que a morte não existisse? É isso que a ciência já tenta fazer: a manutenção orgânica saudável, ou por outro lado, substituição celular.

Entretanto, a questão da humanidade não parece ser simplesmente apenas a mortalidade, pois seguramente, outros problemas surgiriam de imediato, tais como superpopulação do planeta, caça por alimento, preservação da individualidade, sobrevivência, encontros de parceiro(a)s ideais (no campo da convivência) e tantos outros desencadeados pela imortalidade. Portanto...é bom pensar se a morte não seria uma solução para a espécie ao invés de apenas um problema da finitude humana.

* Professor do Centro de Biociências da UFRN(Juarez@cb.ufrn.br)