Total de visualizações de página

27 de mai de 2011

É MUITA DEMAGOGIA !







É muita Demagogia!

(O Professor ao longo do tempo – IV)

*Juarez Chagas

Nada mais pertinente do que abordar na sequência intermitente dos artigos intitulados “O Professor ao longo do tempo” ( no escrevo O Jornal de Hoje, tendo iniciado esse tema em meados de Fevereiro deste Ano), o assunto em voga que foi o posicionamento da professora Amanda Gurgel na Audiência Pública Sobre o Cenário Atual da Educação no Rn, que ocorreu no dia 10 deste mês, mas que ainda é o comentário do momento.

Inquestionável o teor, coragem, verdade e, acima de tudo, a maneira como a professora Amanda demonstrou sua indignação, angústia e, principalmente, mensagem solidária de alerta contra o sistema cruel que penaliza a educação vigente. Na realidade, ela não discursou, ela falou naturalmente seu pensamento, sua visão, sua condição e sua decepção a respeito do sistema educacional local e nacional. Isso é o que se pode dizer fala certa, na hora certa e no lugar certo.

Por outro lado, é impressionante como temos que aturar a demagogia do dia-a-dia, a falsidade investida e revestida de oportunismo barato, descaradamente ostentado por pessoas que, de repente, como num estalar de dedos, caem em defesa de causas nobres, mas sofridas, perseguidas e refutadas por estas mesmas pessoas que, demagógica e hipocritamente se colocam como “defensoras” destas causas de uma hora pra outra, quando lhes são convenientes. E pior, causas estas que sempre hostilizaram ou que, no mínimo, delas mantiveram distância ou quaisquer associações pessoais ou funcionais.

Ridículo, demagógico e hipócrita são adjetivos suaves para a "manifestação de solidariedade" de "oportunismo" de muita gente que, NUNCA se preocupou com a Educação local ou nacional e que se diz solidária com a Professora Amanda e toda a classe do magistério, somente porque ela conseguiu com sua versatilidade e verdade chamar a atenção do país. Tem até gente comparando-a agora com Nísia Floresta, dizendo que ela seria sua repetição. A professora é ela mesma e é assim que deve ser vista e respeitada.

E tem mais...na época de pré-eleições, a Educação, a Saúde são carros-chefes e fontes perenes de votos. Uma vez eleitos, os políticos se preocupam muito mais em aumentar seus próprios salários do que aprovar leis e emendas em prol da Educação que, só volta a ter "valor" nas próximas eleições. Durma-se com tanta hipocrisia!

Pergunta-se: onde estava toda essa solidariedade antes da fala da professora Amanda na audiência pública? Onde estavam todas essas pessoas que, de repente “mostram-se tão solidárias”, mas que antes nunca intercederam em favor e em prol da educação ou da solidariedade à angústia das classes esquecidas ou simplesmente usadas para promoções pessoais ou classistas? Será que se os deputados, vereadores, secretária e representantes do poder teriam permitido que a professora falasse de sua angústia, representando a angústia do professor do Estado e demais trabalhadores em educação se soubessem que ela iria falar e denunciar tal descaso da forma que denunciou? Responda você mesmo.

A repercusão, local, nacional e até internacional do protesto da professora Amanda tem sido importante e em causa nobre. Portanto, que se evite banalizar ou desvirtuar o foco de sua importância. Estão achando pouco e tem gente que já quer até lançar a jovem professora candidata à prefeita de Natal (se bem que se comparando com essa administração que aí está...). Outros aventam a oportunidade até de lançá-la como pin up da playboy! Francamente...nao dá pra ouvir ou ler esse tipo de coisa sem se manifestar.

No que diz respeito à questão ou papel político da professora, pleitear ou nao candidatura seja de que nível ou ordem for, entende-se que quem tem que discutir isso ou não é a própria professora ou seu partido, o PSTU - Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, ao qual a mesma é filiada.

No programa do Faustão (22/5/2011) quando Amanda Gurgel disse que estava ali e aproveitava a oportunidade pra emprestar sua voz a todos os colegas que comungam da mesma luta e do mesmo pensamento, certamente, ela não quis dizer que tantos outros se calassem, porém o que deu a entender é que representava também naquele momento todos aqueles que não podiam falar e nem tiveram a mesma oportunidade que ela teve e que ela mesma fez por onde acontecer e merecer. Portanto, todos devem também oportunizar falas e momentos para demonstrarem a indignação pelo estado caótico da educação que só é lembrada em época de campanha eleitoral e outros momentos oportunistas.

A educação sempre foi um caos em nosso país, agora de repente virou vitrine para os oportunistas que se dizem solidários, atirarem pedras quando ninguem estiver olhando. Ensinar é dom, abnegação e nobreza. Por isso merece RESPEITO!

A professora Amanda brilhou porque estava predestinada a brilhar apesar da ofuscação (essa palavra realmente existe) das adversidades e do “sistema” (político, educacional, social, etc) em nosso país...na verdade, pessoas como ela, já estão preparadas para quando o momento chegar, no seu caso sim, foi de oportunidade e não de oportunismo.

Pra concluir, só uma pequena informação, para que ninguém pense que somente agora, com esse assunto em voga, estou defendendo a causa do professor. Já escrevi muitos artigos aqui e em jornais locais, em favor da Educação e do Educador. Ensino desde os 17 anos de idade (quando ainda concluía o Científico no Atheneu e já ensinava Inglês na SCBEU-Sociedade Cultural Brasil-Estados Unidos) e, antes de prestar concurso para professor da UFRN (1978) eu ensinava no Estado e reivindicava melhores condições de ensino e salário e, engano quem pensa que a educação superior não está também relegada a último plano, pelos políticos que dela só lembram quando estão em campanha postulando seus mandatos.

* Professor do Centro de Biociências da UFRN