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29 de mai de 2008

QUANDO UM HOMEM AMA UMA MULHER



Quando um Homem Ama uma Mulher
(Publicado no Jornal de Hoje, anteriormente)

Juarez Chagas


Recentemente conversamos sobre Guerra e Morte. Hoje vamos falar a respeito de Vida e Amor. Nada mais coerente, para se mostrar que a vida tem, predominantemente, suas duas faces, inúmeras fases e é no meio desse caminho que, muitas vezes questionamos seu destino, que nós humanos caminhamos e caminhamos até onde podemos.

“Quando Um Homem Ama Uma Mulher” (When a Man Loves a Woman, USA, 1994) é o título de um excelente filme, o qual se não faz a mais “dura e controlada” das pessoas chorar em algumas ou pelo menos numa de suas passagens emocionantes, no mínimo a fará refletir sobre perdas, amor, ganhos e, sobretudo, reconstituição da condição humana após fracassos, hoje mais discutida do que nunca, no âmbito da Psicologia.

O filme começa com a abertura da linda música homônima When a Man Loves a Woman (Percy Sledge), quando Michael (Andy Garcia) encontra sua mulher Alice (Meg Ryan) em um bar, onde marcaram para se encontrar e comerem algo, antes de rumarem para casa. Michael é piloto de bordo e acaba de chegar de viagem.

À noite saem para comemorar o aniversário de Alice e, em virtude disso, surge sua primeira recaída, pois ela adquirira o hábito de beber desde os nove anos de idade. Hábito esse herdado de seu pai, que era alcoólatra. Ao chegarem em casa, Alice irrita-se com o alarme de um carro estacionado na rua e, irritada, vai até o carro com várias caixas de ovos, sujando todo o carro de ovos quebrados. Sem controle ela sobe em cima do carro, e convida Michael para fazer o mesmo, ou seja, atirar ovos no carro, numa brincadeira irreverente, porém totalmente impulsionada pela bebida. Finalmente, Michael cede ao pedido e ambos brincam como duas crianças brincam na lama. Porém, ele não ficou satisfeito com isso...

Dia seguinte, depois do trabalho, onde Alice é professora, sua amiga Pam, pede para falar com ela, pois está com problemas com o namorado e precisa desabafar. As duas vão para um bar vizinho e lá, acabam bebendo uns drinks, o que faz com que Alice chegue em casa muito tarde da noite e totalmente embriagada. Michael reclama e pergunta por onde ela andou, então ela lhe conta que bebeu porque havia saído com a amiga. Em seguida, após ver que não fora apenas pelos simples fato de ter saído com Pam, porém por não ter conseguido ficar sem beber, começa a procurar desculpa culpando o tipo de trabalho e a ausência do marido, que vive viajando. Quando Alice começa a falar na ausência constante de Michael, ele sente-se culpado por não estar presente para dar, o suporte necessário que ela precisa, assim como também às suas duas filhas, Casey de 4 e Jess de 6 anos. Então ele sugere que ambos tirem uma temporada curta de férias, longe de tudo e de todos, com o objetivo da esposa melhorar.

No primeiro passeio de barco, já no recanto de férias, Alice já tinha bebido mais que o suficiente pelo dia todo. Cai do barco e quase morre afogada, não tivesse Michael resgatado-a com muita sorte. Depois deste incidente, os dois conversam pela primeira vez, após tanto tempo, sobre o vício e sobre o que realmente está acontecendo.
- Você me assustou ontem, querida. Você não assustou a si mesma? Indaga Michael.
- Vou parar de beber tanto. Ontem à noite foi a melhor coisa que aconteceu. Isso me abriu os olhos. Te prometo. Prometo a mim mesma.

Alice e Michael retornam das férias e, já na primeira noite após a volta, ela começa a sentir o drama com mais intensidade. Dorme mal, levanta-se no meio da noite, procurando uma garrafa de Vodka que havia escondido e vai jogá-la no lixo. Nesse momento, a irresistível vontade de beber é maior e então ela bebe toda a garrafa antes de jogá-la vazia, no lixo.

Está aí confirmado seu estado de abstinência, pois não pôde evitar mais a ausência do álcool. O pior é que Alice não pode ocultar essa passagem do marido que dormia, pois sem querer, a porta se trancou por dentro e ela não pôde entrar, tendo que tocar a campainha para que ele viesse abrir a porta para ela. Quando ele abre a porta, ela metade trôpega e metade sem jeito para qualquer desculpa, diz
- Bem, está tudo bem lá na calçada. Compulsão por lixo. Mas, me sinto muito melhor agora. Nesse sentido, não sabemos se ela foi irônica consigo mesma ou se quis se justificar ao marido ou se queria dizer que a droga é um lixo. Quem sabe, ambos.

Na manhã seguinte é visível o nervosismo, a ansiedade de Alice, que são outras fortes características do alcoolismo. Sua irritação e inquietação são tão notórias que começa a implicar com Jess, proibindo-a de ir à casa de sua colega de escola, impasse esse resolvido por Michael, o que a irrita mais ainda.

Finalmente, Michael viaja e já nessa primeira oportunidade, Alice já chega embriagada em casa. Preocupada com o estado da mãe, Jess a segue e pergunta se ela está doente, quando a vê ingerir várias pílulas de aspirina com Vodka. Alice, em contra-partida esbofeteia a filha e manda-lhe fazer suas tarefas. A garota sai correndo e chorando para seu quarto. Em seguida Alice vai tomar banho, porém começa a passar mal, ter convulsões e então, sem controle cai por cima da aporta de vidro do banheiro. Jess consegue localizar o pai, em outro Estado, pois havia viajado como piloto e lhe diz por telefone que sua mãe está morta. Nesse momento, o drama familiar se configura e parece ser maior do que a da alcoólatra, pois o estado da própria doente, não é maior do que o drama psicológico vivido por Jess e Michael, que desesperado ruma para casa, achando que sua esposa está mesmo morta.

QUANDO UM HOMEM AMA UMA MULHER


Quando um Homem Ama uma Mulher (II)
(Publicado no Jornal de Hoje, anteriormente)

Juarez Chagas


Continuando a triste trajetória de Alice Green, personagem fictícia vivida por Meg Ryan no filme que leva o título deste artigo, vimos que ela, literalmente embriagada e sem o mínimo domínio do corpo e mente, após cair com todo o corpo por cima da divisória de vidro do banheiro, ficou inerte estirada no chão, como se morta estivesse.

Quando Alice acorda no hospital, Michael está ao seu lado, chorando discretamente. Assim que ela acorda ele a beija, demonstrando afeto e não pena. Esse momento é importante, pois o doente de alcoolismo já se sente rejeitado por si só e não suportaria o sentimento de piedade por parte dos outros. Outro momento importante do filme é quando Alice, finalmente admite e confessa estar doente. Ela diz que bateu em Jess, diz que bebe sem parar, que começa às 4hs da madrugada e continua durante o dia todo. Admite que bebe no banheiro, no armário, no quarto das meninas e em todos os lugares da casa.
- Bebo Vodka pra você não sentir o cheiro. Michael ouve tudo atentamente.
- Tenho que ficar alta pra conseguir fazer qualquer coisa. Tenho muito medo o tempo todo. Nesse momento, Alice admite a dependência. Admitir a dependência já é uma forma de pedir ajuda, pois sozinha não conseguirá sair do vício, uma vez que se encontra refém da bebida, uma das maiores drogas veladas, do planeta, que destrói sua vítima lentamente, quando provoca acidentes, suicídio ou homicídio.
- O que vou fazer? Ela pergunta chorando.
- Vamos pensar em algo. Não quero que se preocupe com isso. Vamos encontrar o melhor tratamento que existe. Você não está sozinha. Nunca.
Nesse ponto, numa cena emocionante, o filme deixa bem claro a fundamental importância do apoio e da ajuda, sem a qual o paciente jamais teria êxito. Nesse caso, claro o amor de Michael pela esposa é incondicional e ela sabe disso e se sente segura.
Chega o dia do internato de Alice. Antes de sair de casa ela sente a necessidade e o dever de falar com Cassey e Jess e, principalmente, pedir perdão a Jess por tê-la agredido. A garota ainda está muito ressentida e não diz uma só palavra na despedida. Ou seja, revolta, sentimento de mágoa e outras características das seqüelas do alcoolismo, que sem exceção acomete toda a família. O trauma que Jess sente é algo devastador para uma criança.
Ao chegar na clínica, Alice quase desiste, pois logo de entrada, tem que obedecer às normas do tratamento, tais quais, revista de sua bolsa (onde foi encontrado um vidro de perfume com bebida), não dá telefonemas e subir sozinha para a primeira entrevista. Ela quase desiste, mas Michael lhe convence a encarar a situação. Ela lentamente se vê entrando no período de desintoxicação.

O internamento de Alice, não trouxe adaptações somente para ela. Trouxe para toda a família. Michael teve que mudar sua rotina de vida e as garotas também, pois eles agora precisam cuidar melhor uns dos outros e da casa. Jess, com apenas seis anos, resolve assumir a cozinha e tomar conta de Cassey, sua irmã caçula de 4 anos.
Dra. Mendez, uma conselheira da clínica, acompanha Alice na “síndrome de abstinência”, quando ela tem suas primeiras reações de desintoxicação e a estimula a agüentar firme durante os primeiros dias. No terceiro dia é que Alice é permitida a fazer uma ligação para casa e falar com Michael. Ela chora muito e diz que está sendo muito difícil.

Chega o Domingo de visita e Michael e as meninas dividem o tempo com Alice que parece feliz, porém muito apreensiva, se sentido como um animalzinho parcialmente preso. Na comunidade dos pacientes da clínica, Michael observa que ele não está sendo valorizado por Alice que está dando mais atenção a seus novos amigos do que a ele mesmo. Alice nesse contexto, divide com os amigos momentos de confidencias que Michael não pode lhe proporcionar. Ele sente isso e fica incomodado.

Chega o dia de Alice ir embora. Dra. Mendez está com ela na ultima conversa. Ela diz que está com medo e que não sabe o que a aguarda, pois chegou uma pessoa e está saindo outra. Nesse sentido, vimos que a recuperação também causa uma certa “institucionalização” do paciente. Ela se imagina uma outra pessoa que sente deixar seu novo lar. Quando retorna para casa, tudo parece normal, porém Alice nota que não foi apenas ela que mudou, mas todo mundo. Ela se sente como tendo, perdido seu “lugar de esposa, mãe e de dona de casa”, pois Michael agora parece querer resolver tudo sozinho. Problemas com as meninas, com a casa, tudo ele quer resolver. Resultado: acabam na terapia de casal, pois sua nova vida lhe traz também novos conflitos, antes inexistentes.
Os dois discutem sobre o momento que estão passando. Alice diz que Michael a culpa por tudo e que se sente estúpida do mesmo jeito que antes. Surge assim um outro problema que ambos não estão sabendo resolver. Então, Michael resolve ir embora e sai de casa.

Chega o dia do depoimento final de Alice na instituição onde estivera internada. Ela começa se apresentando e dizendo que nesse dia completa 184 dias sem beber. Seu depoimento é simplesmente emocionante. Diz que se sente recuperada, mas, que o álcool lhe roubou o que mais amava, seu esposo. Também roubou sua vida.Todos os presentes a aplaudem de pé. Michael também se encontra na platéia e vem recebê-la, para sua surpresa e felicidade. Como a própria música tema do filme diz, quando um homem ama uma mulher, tudo faz pra lhe fazer feliz.

O QUE É A MORTE?


O Que é a Morte ?
(Publicado no Jornal de Hoje, anteriormente)

Juarez Chagas

A princípio, esta parece ser uma pergunta fácil de se responder, mas não é. Tanto é verdade essa afirmação que até hoje não temos uma definição adequada para a morte, apesar da mesma ser tão ou mais antiga do que a própria vida, à qual sempre busca exterminar.
Parece que, assim como a sol e a lua, a noite e o dia, o bem e o mal, o masculino e o feminino e todas as dualidades e simetrias, mesmo paradoxalmente heterogêneas, se é que assim podemos chamá-las, a morte também já surgiu com a vida, para ser seu lado simétrico e ao mesmo tempo antagônico, por ser exatamente o oposto, mas também, em conjunto formar o seu inteiro, encerrando o ciclo vital das plantas, animais e seres humanos.

Popularmente falando, vejamos como Aurélio Buarque conceitua a morte: “Morte. S.f.1. Ato de morrer; o fim da vida animal ou vegetal. 2. Termo, fim. 3. destruição, ruína. 4. fig. Grande dor; pesar profundo. 5. entidade imaginária da crendice popular, representada em geral por um esqueleto, armado de uma foice com que ceifa as vidas”.

Mas, entendemos que este é um conceito gramaticalmente técnico e que sua definição não contempla nem engloba todo o seu conteúdo significativo e fica, portanto, a necessidade de uma compreensão mais profunda, no sentido de entender, de certa forma, a ansiedade em virtude do desconhecimento, permanecendo,muitas vezes, as mesmas dúvidas e questões, tais quais: como outras culturas e grupos sociais definem a morte? Como seria a vida sem a morte? Nosso Planeta suportaria seres imortais sem renovação do ciclo vital? E quanto à superpopulação? Teríamos espaço, água, ar e alimento suficientes para todos e mais ainda para os que nasceriam a cada instante? Como seria a convivência entre seres imortais? Parece que uma das respostas é a constatação de que a morte não é apenas algo inevitável, porém também necessário, assim como a própria vida, em sua seleçao natural.

A filosofia oriental nos ensina que devemos conhecer o yin e o yang, o claro e o escuro, o positivo e o negativo, o bem e o mal, o feio e o belo...para que possamos viver em equilíbrio. O ocidente tenta combater a morte com unhas e dentes! As demais culturas dos diferentes povos têm sua própria maneira de ver, encarar, tentar evitar ou se esconder da morte. Esta sem piedade, complacência ou adjetivos específicos, determina até onde a vida de nós humanos deve ir. Isso, é inegável dizer, atemoriza a quase totalidade dos seres humanos, que são os únicos indivíduos na face da terra conscientes de sua própria morte, gerando tal comportamento, pois não fomos preparados para aceitar esse fato de modo diferente. Ao contrário, fomos preparados para temer a morte, tentar evitá-la e até excluí-la de nosso pensamento e imaginação, na tentativa de vivermos mais tranqüilos. Mas, como evitar algo que está presente, não somente em nosso consciente, mas paralelamente lado a lado às nossas vidas? Esse sentimento é tão forte que acaba por constituir-se em uma das únicas certezas de nosso Destino sobre a face da terra, tendo originado o tão popular adágio: “ A morte é a única certeza que temos da vida!”.

Bem sabemos que, enquanto o Oriente procura entender a morte no campo espiritual e para ela se preparar. O Ocidente a vê como sua pior inimiga e procura cada vez mais combatê-la com experimentos e tecnologia, argumentando que a revolução biomédica sobrepujará, em breve, sobre a doença, mantendo cada vez mais fortes os processos vitais orgânicos, tornando a velhice apenas um período mais saudável da vida e, assim transformando a morte em algo do passado.

Por outro lado, esse processo puramente científico que alimenta mais ainda o desejo da imortalidade, parece, segundo o pai da psicanálise não levar em conta a subjetividade humana em torno de seus conflitos existenciais, pois o próprio Freud chegou a afirmar “ É possível que a morte em si não seja uma necessidade biológica. Talvez morramos porque desejamos morrer. Assim como amor e ódio por alguém habitam nosso peito, assim também nossa vida conjuga o desejo de manter-se e um anseio pela própria destruição”.

Portanto, parece muito mais fácil saber e entender o que as pessoas sentem em relação à morte do que, propriamente, defini-la. Uma coisa é certa, por mais inaceitável e absurda que possa parecer na concepção pessoal de cada um, a morte complementa a vida, assim como o medo é o lado oposto da coragem e o mal do bem, formando ambas, no entanto, um todo. Mesmo parecendo paradoxal e antagônico, poderíamos dizer que um é o outro lado do outro, às avessas, embora formando um inteiro. Então, perguntas como estas mantêm todo o sentido que sempre tiveram: “O que seria do bem se não existisse o mal?”, ou “O que significaria o belo sem a existência do feio?”; “Que idéia teríamos do profundo se não existisse o superficial?” enfim, “Como seria a vida sem a morte?”

PATCH ADAMS, O AMOR É CONTAGIOSO



O Amor é Contagioso
(Publicado no Jornal de Hoje, anteriormente)

Juarez Chagas

Na verdade é assim que deveria ser o amor pela vida: contagioso. Por outro lado, para que se completasse o desejo quase utópico do ser humano sobre a busca do amor em sua plenitude, a vida também deveria ser contagiosa com amor, e o é. No filme Patch Adams, o Amor é Contagioso (Universal Pictures, USA 1998), vemos uma dessas vertentes, humanamente defendida por Hunter Patch Adams, um médico que, além da técnica curativa, crê no riso e no humor como remédio e alento para doentes, principalmente os desenganados pela medicina.

A princípio, Patch Adams lembra Elizabeth Klüber-Ross quando se trata da causa pelo tratamento humano do paciente. Quem leu os livros de Klüber-Ross e Patch Adams, pode identificar, de imediato, a similaridade entre ambos. Ross, já abordada em artigos anteriores (falecida há cinco anos atrás), médica por convicção em ajudar o próximo, aprendeu a lidar com perdas e a partir de sua própria formação ajudou milhões de pessoas a lidarem com a própria morte. É dela os estudos acadêmicos sobre as fases da morte e como encará-las.

O verdadeiro Patch Adams ( inspiração do filme que, mais uma vez prova o inquestionável talento de Robin Williams, por sinal ganhador do Oscar do filme homônimo), por sua vez graduou-se em medicina em 1971, teve como sua principal causa convencer as pessoas, principalmente colegas de profissão, sobre a interação entre medicina e humanização. “Quero ajudar. Quero me conectar com as pessoas. Médicos lidam com as pessoas nas horas mais vulneráveis. Ele oferece tratamento, mas também conselhos e esperança e é por isso que quero ser médico. O médico deve tratar o paciente além da doença”, diz seu personagem numa das falas do filme.

O Dr. Hunter Patch Adams é real e ainda muito bem vivo. Tem sido reverenciado e homenageado no mundo todo por suas ações e atitudes em ajudar as pessoas. Fundou o Instituto Gesunheit, um hospital humano e gratuito, com sua nova versão sendo agora construída em West Virginia, onde a medicina tradicional integra-se com a natureza, arte curativa, homeopatia, acupuntura, recreação, amizade e muito divertimento. Bem a cara de Patch, diriam todos.

Ainda, no que diz respeito ao filme, é ao mesmo tempo uma comédia e drama, assim como também um filme que enaltece o amor e a natureza humana. Uma excelente ficção baseada em fatos reais, o qual começa com Patch Adams viajando num ônibus, rumo a um hospital psiquiátrico, após tentar suicídio. Ao chegar no hospital é colocado num quarto com um doente mental e, a partir daí, passa a conviver com os demais doentes mentais da instituição, procurando se integrar e interagir com os mesmos, indistintamente.

Após sua entrevista individual com o médico psiquiatra que vai acompanhá-lo, é colocado para fazer tratamento em grupo. Ele começa a perceber o conflito de cada um de seus “colegas” e tenta ajudá-los penetrando em sua sintonia e seus problemas e tentando entender e viver suas próprias angústias. Evidentemente, que isso causa grande tumulto no hospital e então, resolve, a contra gosto do diretor do hospital, pedir alta, pois descobre ter agora um novo objetivo de vida: ser médico e tentar ajudar os outros!

Dois anos depois, ele se matricula na Universidade para cursar medicina. Acontece que a partir daí, Patch torna-se o grande problema da universidade e do hospital, pois passa a quebrar normas tradicionais com seu jeito irreverente de ser, mesmo sendo para ajudar os outros, principalmente os pacientes terminais. Suas atitudes pouco ortodoxas culminam com a construção de um hospital ao ar livre, mesmo não tendo ainda concluído o curso médico. E por isso é julgado academicamente, no sentido de ser expulso da universidade.Vejamos um dos diálogos de Patch, quando este é interpelado a justificar suas atitudes.

- Você considerou as conseqüências de suas ações? E se um de seus pacientes morresse? Indaga o presidente da comissão acadêmica julgadora.
- Qual o problema com a morte, senhor? De que temos tanto medo? Por que não tratar a morte com certa dignidade e decência e, Deus me perdoe, até mesmo humor? Morte não é o inimigo, senhores. Vamos lutar contra as doenças, vamos lutar contra a pior doença de todos, a indiferença. Eu freqüentei essas escolas e ouvi pessoas falarem de transferência e distanciamento. Transferência é inevitável. Todo ser humano afeta um ao outro. Por que não queremos isso entre paciente e médico? É por isso que considero seus ensinamentos errados. A missão do médico não deve ser prevenir a morte, mas também melhorar a qualidade de vida e para isso, se trata da doença sem ganhar ou perder. Se tratar a pessoa, eu lhes garanto, vai ganhar, não importa o desfecho!

Patch foi absolvido, estimulado a terminar o curso médico e ovacionado pela platéia de alunos e amigos da universidade, após o resultado de sua absolvição. Foi estimulado a ser médico e aplicar a mesma filosofia de trabalho. Posteriormente fundou seu próprio hospital, ao qual muitos outros médicos se juntaram pela boa causa humana.

A lição de Patch Adams deveria ser também contagiosa. Um excelente exemplo a ser seguido, principalmente por aqueles que ainda não atentaram para o espírito da humanidade. Quanto ao filme, mesmo para quem já assistiu, eu recomendo como divertimento e reflexao. Além da pipoca tenha um lenço consigo também, pois certamente irá rir e chorar.

Quantas Vezes Morremos Antes de Tanathos Chegar?

Quantas Vezes Morremos Antes de Tanathos Chegar?
(Publicado no Jornal de Hoje, anteriormente e no pt.shvoong.com/humanities/1752550)

Juarez Chagas


Estudos sobre a morte, depois de séculos de hibernação ainda iniciada na idade média, hibernação esta causada pelo medo, pavor, pânico que velaram este tão importante tema que diz respeito às nossas vidas e mais especificamente ainda, ao nosso comportamento frente ao social, finalmente, vêm chamando a atenção da comunidade acadêmica e, esperamos que muito em breve, saia do “anonimato paradoxalmente tão popular” para às esferas das discussões mais ecléticas possíveis.

O interesse em saber quem é essa personagem viva, embora sendo morte, cuja imagem personificada de esqueleto em seu cavalo, aflige e ceifa vidas com sua foice impiedosa e que, cedo ou tarde, nunca falha, sempre foi um dos mais complexos mistérios no consciente e inconsciente individual e coletivo do ser humano. Porém cabe uma simples pergunta lógica: se o interesse é tão vital, por que a morte ainda permanece um tabu, figura velada, oculta e intocável em seu misterioso mundo dos mortos, mas bem no âmago da vida humana, já que todos os dias, senão a todo instante, a vemos, temos contato com ela, através de suas ações? A resposta também parece simples e lógica: medo. Sim, é o medo que ela alastra mesmo antes de nos causar a própria morte! Pior ainda, pânico para muitos e angústia para tantos outros. Como diz a velha frase de William Dunbar: Timor mortis conturban me”, ou seja, a morte me deixa morto de medo.

A discussão, no entanto pode parecer contraditória, quando concordamos que um dos desejos da sociedade, sempre ávida por descobrir a verdade nua e crua de segredos e mistérios que tanta importância têm para o ser humano, por que a morte permanece ainda um tabu estigmatizado? Talvez a resposta esteja nas diferentes culturas, crenças, religiões que ao longo do tempo têm mantido esse assunto sob mantos de mistérios.

A morte surgiu com a vida e seria arriscado e impreciso afirmar o tempo de sua existência mesmo com as estimativas cronológicas apresentadas por fundamentações empíricas, teóricas e científicas sobre os fenômenos da Natureza. Entretanto, não é apenas o fato do morrer simplesmente que aflige o ser humano e sim quantas vezes morremos antes de sucumbirmos definitivamente.

Uma pesquisa recentemente realizada nesse sentido revelou a já esperada constatação de que não morremos apenas uma vez e sim várias vezes, pois existem mais do que razões para acreditarmos que antes de morrermos definitivamente, morremos inúmeras vezes, mesmo que não percebamos isso claramente. Essa constatação encontra embasamento, coerência e sustentação no incontestável fato de que a morte é uma separação, uma perda definitiva, uma infinita distância do ser e do ter. É a mais brusca e fatal das separações já experimentada pelo ser humano.
Mas, existem também outras separações e perdas no decorrer da vida do indivíduo que, se não o aniquila como a morte-mor o faz, conduzindo-o à lápide dos mortos, mata dentro de si, na alma, na mente, na sua subjetividade e até nos orgânicos processos vitais, que se caracterizam como outros tipos de mortes. Portanto, a pergunta do título “Quantas vezes morremos antes de Tanathos chegar?”, realmente procede, pois bem sabemos que, mitologicamente, Tanathos sendo o deus da morte, teria domínio sobre a vida das pessoas. Daí, tanatologia significar o estudo da morte, enquanto Eros é amor, vida.

Não é foco deste simples artigo discorrer sobre a cronologia da morte, seus tipos e suas causas, porém é importante dizer que o conceito e a personificação da morte é algo bastante diversificado, segundo as diversas sociedades e suas culturas. Por outro lado, isso tem dificultado sobremaneira um estudo linear e mais direto sobre o tema, fazendo com que a morte permaneça escondida em seu misterioso mundo oculto, isso porque nós mesmos a ocultamos, na esperança dela nos afastarmos e dela nos livrarmos.

Porém, retomando a questão abordada sobre as várias mortes pelas quais o indivíduo está fadado a passar e vivenciar ao longo de sua existência, tomemos o exemplo da Pequena Lucy, uma criança de família brasileira urbana, de classe média.

A pequena Lucy amava sua bonequinha de pano Florzinha, a qual ganhara quando completou três anos de idade. Até os oito anos nunca havia passado uma só noite que as duas não estivesse lado a lado, na cama trocando confidências, segredos e mistérios comuns ao mundo mágico das crianças. Mas, um dia Florzinha foi roubada por uma colega de escola de Lucy que viera, juntamente com outras amigas, fazer uma tarefa lúdica em sua casa. Ã noite, na hora de dormir, Lucy não encontrou Florzinha. Desesperada, depois de revirar quase todo o quarto e não encontrá-la, ela desoladamente diz, em prantos, para sua mãe. “Quero Florzinha! Quero minha boneca! Quero morrer!”. Com o passar dos dias e da certeza da perda de sua boneca, não apenas justificava suas frases, como algo já morrera em Lucy, dado o amor que ela dedicava a mesma. Amor este agora perdido. Ela passou a viver acabrunhada, triste e totalmente sem ânimo. Na verdade, a perda é uma morte, pois algo morrera em si...

Assim como o caso da pequena Lucy, todos os dias, a toda hora exemplos semelhantes estão acontecendo em todo o mundo. Separações de casais, amores perdidos ou desfeitos, desilusões e sonhos acabados, morte de mitos e heróis e inclusive a morte do outro, o outro com quem se tem laços, tudo isso constitui em tipos de morte. Ainda não sabemos, do ponto de vista científico, a dimensão exata que essas mortes podem causar, pois elas afetam profundamente nossa subjetividade, desorganizam e desequilibram devastadoramente nossa psiché e desestruturam nossa mente, afetando normalmente também o somático, fazendo como que todo esse processo se arraste, na maioria dos casos, até a morte definitiva, para não dizer por toda a vida. Então, podemos dizer, sem sombra de dúvidas que morremos muitas vezes antes de Tanathos chegar!

A ROSA DA MORTE


A Rosa da Morte
(Publicado no Jornal de Hoje, anteriormente)

Juarez Chagas


É engraçado (não no sentido cômico) como o Ocidente combate a morte, oculta, vela e a mantém afastada do seu meio educacional e acadêmico como se a mesma fosse o pior monstro da humanidade (e o pior é que acabou sendo mesmo!), mantendo sempre seu arsenal marcial a postos lado-a-lado da ciência no confronto duma guerra sem fim.
Enquanto isso, algumas sociedades ocidentais, cruzam suas pernas e distendem os braços em posição de lótus, fecham seus olhos e, mesmo com eles fechados, observam a morte com prudência, respeito e até aceitação. Temos aí duas visões diferentes de entendimento e enfrentamento, no que diz respeito às diferentes filosofias de vida, de duas das mais distintas regiões continentais que compõem o planeta terra. Uma dogmática, espiritual e teológica e outra científica e pragmática. No meio disso, o valor da vida e do desenvolvimento humano permeia, muitas vezes sem idéia do seu verdadeiro destino e objetivo final como realização individual e coletiva.
Mas, não podemos desconhecer o pensamento de alguns filósofos ocidentais que divergem do que poder-se-ia imaginar “pensamento normal ou comum”. Podemos citar o exemplo de Arthur Schopenhauer em seu famoso ensaio sobre a morte. Claro, que a idéia principal da maioria de meus artigos que versam sobre a tanatologia é trazer a questão educacional sobre a finitude humana para que possamos, diante do inegável e milagroso processo biológico, do qual a morte faz parte, conhecer bem esse fenômeno, para que possamos viver melhor sem a idéia da ignorância e dos conflitos que esta gera.

Recentemente, completou sessenta anos, portanto mais de meio século, de morte em massa populacional, duma parte de nosso planeta. A quase total devastação de Hiroshima e Nagasaki pelas bombas nucleares de urânio que a América derramou morte e pânico sobre toda população e que, na verdade, continuaram ainda espalhando morte e, psicologicamente, pânico nos primeiros anos que se seguiram.

A bomba jogada em Hiroshima, às 8:15hs de uma manhã de sol indiferente, varreu a cidade por nove quilômetros quadrados devastando cada pedaço num clarão mortal nunca visto antes. Cerca de setenta mil pessoas morreram imediatamente e nas semanas seguintes o número quase triplicou. Um verdadeiro massacre humano! No céu se desenhou uma gigantesca “rosa” de fogo e fumaça que, mesmo quem a viu por fotografia, jamais esquecerá, passando a ser chamada de cogumelo ou Rosa de Iroshima. "É o maior acontecimento de toda a História", disse se vangloriando, o então presidente dos EEUU, Harry Truman, assim que soube do bombardeio, que ele mesmo havia, de sã consciência, autorizado. Três dias depois foi a vez de Nagasaki, quando às 11:02hs de 9 de agosto (horário japonês) foi também quase varrida do mapa.

É impressionante como a ciência e tecnologia, sob o desejo humano do domínio e do poder, investe bilhões de dólares, para manter esse poder, nem que para isso seja necessário acabar com a vida de milhares e milhares de pessoas inocentes. Nem que para isso seja necessário convocar a morte, a quem por outro lado tanto combate. É um dos contra-sensos humano que por si só se explica ou pelo menos, tenta.

Mesmo do outro lado do mundo e, não tendo sofrido essa horrenda e vergonhosa mortandade, como protesto e com sensibilidade poética, o grande poeta brasileiro Vinicius de Morais escreveu cortantes versos que, na voz de Ney Matogrosso, os Secos e Molhados derramaram poesia angustiante, transformando “A Rosa de Hiroshima”, a rosa da morte, em canção e canto cálido, nos saudosos anos 70. Foi exatamente assim que Vinicius escreveu e os Secos e Molhados cantaram:

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas,
Pensem nas meninas
Cegas inexatas,
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas,
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas.

Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa, da rosa!

Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor, sem perfume
Sem rosa, sem nada

Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa, da rosa!

Diferentemente dos versos da canção, eu apenas diria, que procuremos esquecer daquela rosa e procuremos cultivar uma outra rosa, a rosa do amor e da vida.

juachagas@gmail.com

O MUNDO É DAS MULHERES


O Mundo é da Mulheres (Sempre foi…)
(Publicado anteriormente, no Jornal de Hoje )

Juarez Chagas

Tem se discutido muito ultimamente que o mundo é das mulheres e que elas poderão dominá-lo, definitivamente. Na verdade, eu pessoalmente acho que sempre foi e sempre será, apesar de muita contestação do mundo machista.
É fácil entender o óbvio: basta fazer um retrospecto, desde os primórdios e, observar que essa história de que a mulher surgiu de uma costela do homem foi apenas uma metáfora pra quem quiser entender a seu modo. A mulher sempre teve vida própria e, é importante lembrar, que tem o dom, poder e dádiva da maternidade, o que por si só já lhe confere condição ímpar. As mulheres, além de procriarem, não precisam provar pra ninguém que o amor e cuidado maternal para com a prole, distanciam-se imensamente do cuidado paterno, considerando as exceções, claro. Isso sem falar na sua qualidade de musa inspiradora.

Portanto, nesse item, mais uma vez, elas ganham em disparada. Por outro lado, as leis da sociedade foram estabelecidas pelo homem que, relegou sua companheira a segundo plano, através dos tempos. Pra se ter uma idéia, a primeira mulher médica só pôde realmente atuar, depois de muitos preconceitos, já no final do século XVIII. A propósito, no campo cirúrgico, há bem pouco tempo não tínhamos nenhuma cirurgiã. Ninguém confiava nas habilidades cirúrgicas da mulher. Adicione-se a isso as demais profissões ditas tradicionais e particularmente masculinas, tais quais engenharia, astronomia, dentre outras.

Trazendo a discussão e panorama para a atualidade, século XXI, é impossível esconder a realidade, pois a mulher avança cada vez mais, não apenas numericamente (sabemos que em todas as espécies animais as fêmeas nascem muito mais que os machos e, no ser humano não é diferente. É uma lei da Natureza que preserva e cuida da procriação), mas também em todas as áreas que se possa imaginar.

Nós homens, devíamos achar isso altamente positivo, partindo do ponto de vista que, mesmo com muitas conquistas e com toda a sapiência que o homem adquiriu e legado que tem deixado às gerações futuras, também fizemos muita bobagem e coisas que denigrem a condição humana, como as guerras, por exemplo. Não seria a hora de desejarmos ver o que as mulheres, além do que já nos têm proporcionado (tudo de bom...tanto é que sem elas não podemos e nem queremos viver) fariam melhor que os homens? Na realidade, nem há alternativa, pois isso irá ocorrer, queiram muitos ou não.

Por outro lado, há considerações a serem feitas. Fazendo uma analogia a determinados partidos políticos encabeçados pelos homens (o que na maioria é vergonhoso), estariam as mulheres preparadas para governar? Será que tudo aquilo que elas combatem, não irão, quando no poder, fazer pior? Eu acho que elas fariam bem melhor do que essa politicagem que está aí.

A propósito, li esse final de semana uma reportagem de um jornal local, altamente preocupante, cujas headlines traziam: “Beber até cair, vira desafio entre jovens”. E jovens nessa reportagem referiam-se às meninas ainda adolescentes que afirmam que estão “tomando todas” e até mais que os meninos. Ou seja, estão dominando o álcool, também. A iniciativa sexual, em muitos casos, também partem das meninas, que se mostram cada vez mais liberais. Ora, se o contingente de mulheres é numericamente maior que o de homens, isso terá um efeito dominante em pouco tempo. Aliás, há uma recente pesquisa feita em Natal, a qual constatou que a Cidade do Sol tem uma proporção de vinte mulheres para cada homem.

Sem considerar o comentário jocoso de um conhecido que sobre isso, disse: “nesse caso tenho direito a mais 19...”, isso (não a piada, mas o fato) confirma nascerem mais mulheres que homens, indubitavelmente. Os homens também, até agora, morrem mais e mais cedo. Essa é mais uma das razões pela qual elas vão dominar o mundo!

Agora, dominar o mundo não é brincadeira. Certamente, haverá guerra entre as próprias mulheres e, os homens serão disputadíssimos, entre outras regalias. E ainda pode ser feita a pergunta, caso elas passem as mãos pelos pés (o que não acredito) e ainda pisem na bola: “ é melhor agora, ou antes, quando o homem era manda-chuva” ?


O MUNDO É DAS MULHERES


O Mundo é das Mulheres (II)
(Publicado anteriormente, no Jornal de Hoje )

Juarez Chagas


Sobre o Artigo anterior, cujo título é o mesmo, recebi alguns e-mails de algumas mulheres (nenhum de nenhum homem, sobre este tema...pelo menos até o momento), comentado e concordando praticamente com quase tudo que no artigo foi abordado. Mas, façamos uma pausa para a seguinte conjectura futura...
- Tragam a ré, imediatamente! Brada a juíza aguardando uma jovem mulher, mais ou menos 32 anos, acusada de vários homicídios e formação de quadrilha composta por mais vinte suspeitas, as quais se encontram foragidas. O júri é composto por quatro mulheres e um homem que, calmamente aguardam a acusada, não somente pelas advogadas de acusação e de defesa, mas por uma platéia composta de 98% de outras mulheres, ansiosas, pelo resultado final.

Lá fora, a mídia aguarda o resultado enquanto as repórteres, camerawomen, motoristas, contra-regras, editores de imagens, enfim várias equipes, todas compostas por mulheres, formam um aglomerado que mais parece um movimento grevista. Por falar em greve, as principais montadoras de automóveis, robótica e outros equipamentos essenciais à sociedade moderna, também ameaçam paralisar seus serviços, pois a presidente do país não cumpriu com suas promessas de campanha sobre o salário mínimo e várias ações sociais, as quais dizia defender, veementemente quando se encontrava em lado oposto ao governo. Também o congresso, cuja maioria indiscutível é composta por políticas representantes de seus Estados...também as reitoras das universidades públicas pressionam o governo para melhores condições de trabalho e aumento para as professoras (e professores) que ameaçam paralisar suas atividades acadêmicas, isso porque suas rivais das instituições privadas, caminham a passos largos. Por outro lado, programas espaciais foram adaptados às condições femininas e, agora para que um astronauta homem consiga fazer parte da tripulação feminina, em viagens espaciais e outros programas rumo a outros planetas, têm que passar por todos os testes que as mulheres passaram, inclusive “intuição feminina”...coitados dos protótipos schwarzeneggers e demais exterminadores do futuro.

Concomitantemente ao julgamento da suposta chefe da quadrilha feminina, realizam-se vários fóruns internacionais, em todo o mundo, sobre sustentabilidade do planeta e, parece que apontam o homem como sendo o principal criminoso ambiental na terra, água e ar. Enquanto isso, pesquisas genéticas, principalmente sobre “o ser humano do futuro”, analisa as novas possibilidades de um novo protótipo de homem, uma vez que as mulheres estão satisfeitas com sua condição biopsicossocial moderna e, principalmente por comandar os mais importantes centros de estudos e pesquisas sobre a humanidade e suas potencialidades. No modo de pensar delas é preciso um novo homem...

Mesmo na imaginação, não sabemos o veredicto final sobre o julgamento da jovem mulher de 32 anos, porque foi uma situação hipotética. Mas, não é hipótese nenhuma o avanço das mulheres em todas as áreas da sociedade. E elas estão bem conscientes disso. Parece que o mundo masculino ou parte dele, é que ainda não acordou para tal fato.

Por outro lado, existem algumas coisas que “enaltecem” as mulheres, com as quais não concordo muito, por serem desnecessárias. Por exemplo: O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de Março...Vejo tal fato muito mais como uma estratégia política, encampada pela mídia, do que propriamente uma homenagem às nossas queridas mulheres. Outra coisa, pularam por cima do dia Nacional da Mulheres e resolveram fazer uma corrente mais abrangente em todo o mundo, como se lembrassem da mulher apenas uma vez por ano, além do dia das Mães. Na verdade, a mulher não precisa de dia internacional nenhum, pois ela por si só, deveria ser homenageada todos os dias, pois todos os dias são seus. Como diz o título, o mundo é das mulheres.