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2 de ago de 2008

JUNG...E YIN E YANG?

Jung... e Yin e Yang?
Publicado no Jornal de Hoje
*Juarez Chagas

A relação de Jung (1875-1961) com Freud (1856 - 1939) durou cinco anos, exatamente de 1907 a 1912 e, na verdade, foi mais traumática do que propriamente amistosa, segundo os mais íntimos de ambos confirmavam.Carl Gustav Jung concluiu seu curso médico em 1902, cuja tese de psiquiatria tinha o título de “Os Chamados Fenômenos Ocultos”, onde o mesmo, já cita sobre a "Interpretação dos Sonhos”, simplesmente três vezes. A história toda começava exatamente aí...

Por outro lado, porém quase na mesma direção, Freud já descobrira a ‘nova ciência da psiqué, a qual denominou de Psicanálise, que consistia numa parte da Psicologia como um novo método de tratamento das neuroses. Até aí, tudo bem, porém depois do primeiro encontro com Jung ocorrido em sua casa, em Viena, no início de 1907, começaria, o que poderia ser visto como uma relação de amor e ódio, entre ambos. Jung, apesar do grande respeito e admiração pelo mestre e pai da Psicanálise, diria depois o seguinte: "as primeiras impressões que tive de Freud permaneceram vagas e, em parte, incompreendidas".

Na realidade, com a clara resistência a Freud, por causa de seus estudos “contundentes” para a época, Jung cairia em sua defesa pública num congresso realizado em Munique, no qual Freud foi propositadamente omitido, a respeito das neuroses obsessivas, estabelecidas por ele. Daí, Jung, em 1906, escreveu um artigo numa revista médica sobre a doutrina freudiana das neuroses e acabou advertido por dois colegas de que se continuasse defendendo essa corrente (que era o próprio Freud) não teria futuro universitário.


Jung, entretanto continuou a defender Freud, porém com mais cautela e deixando claro que haveria diferenças entre ambos, enfatizando que a "única diferença que, apoiado em minhas próprias experiências, não podia concordar era que todas as neuroses fossem causadas por recalques ou traumas sexuais. Essa hipótese era válida em certos casos, mas não em outros”... Freud tomou isso como uma “irreverência” de seu predileto pupilo, o que, a partir de então, só se acirrariam os ânimos entre ambos, com Jung propenso a abandonar a teoria sexual defendida por Freud. Freud, por sua vez, via em Jung o futuro da Psicanálise e o instigava a não abandonar sua teoria.

Três anos depois do primeiro encontro, em 1910, ainda em Viena, Freud reiterou o pedido a Jung para não abandonar a teoria sexual, pois para Freud era necessário tornar essa teoria em "um dogma, um baluarte inabalável". Jung sentiu-se chocado com a proposta: "ele me pediu isso cheio de ardor, como um pai que pede aos filhos que vá à Igreja todos os domingos. Isso, "feriu o cerne de nossa amizade.”Comentaria Jung, mais tarde.

O certo é que o positivismo científico materialista de Freud não perdoou seu discípulo, o qual buscou fundamentos criativos na religião e ocultismo, fazendo com que a Psicologia de Jung fosse um processo de cura pela transformação do mundo à sua volta. Ele, envolto com o humanismo, via na religião uma forma de diálogo do ego com o self. Brigas, intrigas e desavenças à parte, analisemos a grande causa dessa “separação” dos dois maiores expoentes da Psicanálise: fenômenos ocultos! Como Jung sempre se interessou pela filosofia oriental, em 1920, acreditando na religião e mitologia, se aprofundou no Yin e Yang e, o que poucos sabem, passou a lançar varetas proféticas do I Ching, o Livro das Mutações (que inclusive tenho uma cópia) para seus pacientes.

Vale salientar que, o fascínio do I Ching levou Jung a formular a teoria da “sincronicidade”, algo não muito comum para os ocidentais. Uma coisa é incontestável, concordasse Freud ou não, o Ying e Yang é o equilíbrio. É o masculino e o feminino; o bem e o mal; a noite e o dia; o positivo e o negativo...tudo que as pessoas precisam no mundo de hoje: sincronicidade.


* Professor do Centro de Biociências da UFRN(juarez@cb.ufrn.br)

EU SEI JUDO

Eu sei Judo…
Publicado no Jornal de Hoje, anteriormente
*Juarez Chagas

Como estamos também, vez ou outra, incursionando pelas décadas de 60 e 70, sobre algumas peculiaridades a respeito da turma da Jaguarary e suas “relações contemporâneas” com outros fatos da época, é justo que falemos, pois de alguns acontecimentos interessantes que ocorreram concomitantemente, já que sempre me solicitam juntamente com outros artigos. Não custa atender gentil solicitação.

Recentemente, estive conversando com meu amigo Nilsen Carvalho (este mesmo, que é Vice-reitor de nossa Universidade Federal) e, a propósito por ter sido uma visita quase informal, enquanto conversávamos, relembramos de, pelo menos umas três passagens da época, das quais só vou me reportar sobre uma delas que, por sinal, tem o próprio Nilsen como protagonista.

Mas, antes de falar sobre o assunto, propriamente, normalmente quando nos encontramos, eu lhe digo duas coisas, já de praxe: “Gosto mais de você sem ser Vice-Reitor” e “Rapaz, joga esse cigarro fora...”. E explico as duas frases que ele já tá acostumado ouvir. Primeiro porque, normalmente, queremos privar das amizades de velhos amigos e, por vezes, os eventuais cargos importantes que ocupam, não nos permitem como gostaríamos, o que entendemos muito bem, pois acontecem por força do ofício. E, segundo, no caso especifico, toda vez que o vejo com um cigarro no bico ou entre os dedos, reclamo e chamo sua atenção, para que largue tal vicio que certamente tá acabando com seus pulmões. Pois se ele não o largar, o vicio é que certamente jamais ira deixá-lo.

Bem, voltando ao assunto, Nilsen cursava o curso de Farmácia, na mesma época em que Dilma (sua esposa), a qual é minha colega de turma, cursava Ciências Biológicas, portanto estávamos sempre nos encontrando pelos corredores, festas, jogos universitários, enfim, eventos comuns da turma. Vicente Babosa, nosso ilustre colega que, apesar de sempre ter estado envolvido com a política, também cursava Biologia e, alem da mania de só viver falando em política e, discursando sempre que podia, nesta época arranjou outro assunto, o judô. Pois bem...Vicente, empolgado com sua empresa de segurança, a emserve, inventou de aprender judô e defesa pessoal, juntamente com alguns de seus homens de segurança da empresa.

O fato é que ninguém agüentava mais ouvir Vicente falar em judô pra aqui, judô pra ali, golpe esse, golpe aquele. E um dia ocorreu que Nilsen (este sim, não apenas praticante realmente de judô, porém também competidor e já graduado, senão me falha a memória, em Jodan) estava meio chateado (por razão desconhecida), apesar de não ser uma de suas características, pois quando o mesmo anda calado, é muito mais um observador do que um aborrecido. E Vicente, empolgado com suas novas aulas de judô, porém ainda um neófito nesta arte marcial, não perdia a oportunidade de falar sobre seu novo aprendizado. Nesse dia, nos encontramos, pois, em um dos corredores da antiga Faculdade de Farmácia. Nilsen, por sua vez, tinha ido se encontrar com Dilma, após a aula. Vicente puxou no braço de Nilsen, assim que o viu se aproximar e foi logo dizendo:

- Nilsen, vem cá...ontem eu aprendi um novo golpe de Judô. Meu amigo, esse parece infalível!
Nilsen ficou parado sem dizer uma palavra, fitando Vicente que parecia contente com sua própria narração. Eu, ao lado de ambos, fiquei ouvindo e também observado a cena. Mas, Nilsen não parecia estar gostando de nada do que tava ouvido. E continuava fitando-o serenamente. E Vicente lá, falando sobre o golpe e, como ele finalmente percebera que Nilsen nem se empolgara e nem estava acreditando muito no que ele estava falando (porque até o nome do golpe ele não sabia pronunciar), Vicente por sua vez resolve, repentinamente, tentar demonstrar a técnica no próprio Nilsen. Nilsen, pra quem não o conheceu na época de atleta, parecia gordo (diferente de agora, que realmente é), mas era forte, ou seja, não era gordura e sim músculos que o deixavam atarracado e, diga-se, por sinal, um adversário dificílimo de algum oponente desestabilizar sua base, com um deashi barai, por exemplo. Vicente, não foi muito feliz em sua demonstração, pois segurou na gola da camisa de Nilsen e tentou girar para aplicar um osotogari (que era o nome que ele tentava explicar). Nilsen nem se aluiu do lugar e, imediatamente falou pra Vicente, ao mesmo tempo em que reagiu.

- Por acaso é esse golpe aqui que você tá tentando dar?..(já aplicando o mesmo) Lembro bem que não vi as duas mãos de Nilsen chegar à gola da camisa de Vicente, nem tão pouco vi seu pée direito varrer (deashi barai) suas duas pernas (que estavam juntas, o que um judoca jamais deixaria numa luta), mas sei que vi Vicente ser projetado, voando por cima do ombro de Nilsen e, se estatelar com todo o corpo no piso do corredor. A queda foi um pouco surda porque foi no cimento, mas o grito de Vicente, não. Todo mundo, por ali no prédio da Faculdade de Farmácia, deve ter ouvido.

Pra encurtar a história, dia seguinte, lá vem Nilsen novamente, pegar Dilma na saída da aula, juntamente com toda a turma. Assim que o vi se aproximar, olhei pra Vicente que estava andando todo troncho e entrevado, perguntei:
- Vicente, você por acaso aprendeu algum outro golpe de Judô, ontem à noite? Seu olhar fulminante e de desagrado foi a resposta, enquanto o riso da turma o desconcertou mais ainda.

Terminada a conversa (não essa sobre o episodio, mas sobre o assunto que realmente me fizera procurá-lo na Reitoria), Nilsen me disse:
- Olha, se você contar isso em seus artigos e Vicente não gostar e vier aqui me reclamar...(não o deixei completar a frase e disse):
- Então, a pedido meu, aplique outro osotogari nele, sendo que desta vez do lado esquerdo.

(Apesar da narração estar em forma de artigo, os nomes e o ocorrido não são mera coincidência e o fato é verídico e, mais importante ainda, continuamos todos bons amigos)

* Professor do Centro de Biociencias da UFRN (juarez@cb.ufrn.br)


Era Uma Vez, Lampião...


Juarez Chagas

Eu sempre achei a saga de Lampião, fantástica! Não discuto aqui como ele era visto pela ótica popular, se como herói ou vilão nacional, mas sim em seus conflitos e questões humanas pautadas em suas dualidades tempestuosas. Um homem capaz de fazer, com o pouco que tinha o muito que buscava. Era um verdadeiro obstinado. Na visão do banditismo ou da saga "hobinhoodiana", poderia até ser, por sua ambigüidade, comparado analogamente com Jess James, Billy the Kid, ou o próprio Hobin Hood e outros congêneres de outras partes do mundo. Mas, ele foi um sertanejo e bem brasileiro. E mesmo após 70 anos de seu desaparecimento, continua bem vivo na memória do Brasil.

Lampião e Maria Bonita e grande parte de seu bando, morreram na Grota de Angicos, em Sergipe, no dia 28 de julho de 1938, portanto há 70 anos atrás. Pelo rico legado inspirador de realidade e ficção, dedico a essa passagem histórica, o conto que se segue, intitulado “O Punhal de Lampião-A Historia que não foi contada”. O referido conto de 10 páginas e ,oportunamente, divididos em VI partes, não foi publicado editorialmente, mas encontra-se devidamente registrado na Fundação Biblioteca Nacional sob o Registro: 118.774 e foi lançado neste blog apenas como diversificação dos temas de rotina, para os leitores que gentilmente acompanham meu trabalho literário. Boa leitura!

O PUNHAL DE LAMPIÃO

O Punhal de Lampião
(A Historia que não foi contada)
Juarez Chagas


I Parte
Um Contador de Histórias?

Meu nome é Adelino Sebastião. Mas, não adianta dizer o nome de batismo, pois todo mundo só me conhece como Bastião da Serra Grande, o contador de estórias. Sou mesmo e o quê que tem? Aprendi com meu avô, homem de rara inteligência no meio desse sertão afora. Lembro bem que aprendi a ler e a escrever por iniciativa dele que me levou pro único grupo escolar da região, num dia de chuva, puxado pelo braço. Naqueles tempos e no meio do sertão, lugarejo que tinha grupo escolar era privilegiado. Disarnei rápido. A professora Clara gostava de mim, porque me achava inteligente e desembaraçado. Em pouco tempo eu tava lendo cartilha, catecismo, Bíblia, cordel e frases de placa de caminhão, quando aparecia um, uma vez na vida, nas festas juninas e finais de ano. Ela pedia pra mim ler na classe, em pé em frente da turma. Eu me sentia importante, meu avô também...

Depois, quando cresci, passei a escrever cartas pro povo que tinha parentes distante, nas capitais das cidades do Brasil a fora, pondo emoção e história no papel. Muita gente chorava na minha frente. Às vezes até eu também. Mas, simulava dizendo que era cisco no olho. Não ficava bem, eu chorar de minha própria interpretação das cartas dos outros. Também lia as que eles recebiam. Aí sim, às vezes fazia uma impostação de voz...dava mais vida às palavras da carta. Quando o sujeito ou a comadre tava alegre ou triste demais, eu invertia o tom e aí eles riam e choravam ao mesmo tempo. Mas, eu respeitava a todos. Não é fácil ter uma pessoa querida longe da gente. E assim, andei por todo o sertão do meu Estado que conheço como a palma da minha mão. O Estado do Rio Grande do Norte. Eu gostava muito de ler esse nome em voz alta. Achava bonito. Enfatizava as palavras Estado, Rio, Grande e Norte, como se fosse uma louvação. E era mesmo. Não importava se alguém entendesse errado. Rio Grande do Norte! Afinal, tinha que enaltecer o lugar onde nasci, mesmo que fosse no meio do sertão, não é mesmo?

Bem, mas indo ao que interessa, tem estória que vale a pena contar, outras que vale a pena esquecer. Outras são de arrepiar, outras de fazer rir e outras ainda de fazer sofrer. Mas, a estória de hoje não é sobre mim e sim sobre um grande amigo meu e o punhal de Lampião. Sim, isso mesmo, o punhal de Lampião!

Por falar em Lampião, existem muitas histórias e estórias sobre ele, o gangaceiro mais temido do Sertão, em todos os tempos. Herói ou bandido? Injustiçado ou justiceiro? E quanto mais a história se espalha, mais detalhes e versões ela ganha. Já as estórias de Lampião resultam de verdadeiras ficções mal ou bem contadas. Então, vamos à minha estória de hoje e tire suas próprias conclusões sobre história e ficção, herói ou bandido.

Corre o ano de mil novecentos e noventa, em Salvador que, como sabemos é uma cidade agitada por natureza. Nesse momento acabam de inaugurar o “Museu folclore Estadual”, num dia de festa que se confunde com tantas outras, numa das capitais mais alegres do Brasil. No museu, além de grande acervo cultural, estão expostas, não somente réplicas em cera das cabeças de Lampião, Maria Bonita e de grande parte do bando de cangaceiros, mas também grande parte do material de sua história, como livros, fotos, indumentárias e outros objetos. O acervo do museu é itinerante e a idéia é atrair turistas e curiosos do assunto sobre o cangaço.

Em pé, de frente às cabeças expostas, fumando seu cigarro de palha, um velhinho com pouco mais de oitenta anos, observa atento, como se tudo aquilo lhe fosse familiar. De repente, alguns turistas, juntamente com uma equipe de filmagem, ocupam o espaço, afastando-o de lado, como se ele estivesse atrapalhando o local. A equipe começa a filmar as cabeças do bando e seu acervo. Um deles, provavelmente o diretor da equipe, começa a narrar a historia de Lampião, seguindo um roteiro que carrega na mão.

- “E, Lampião, tido como o mais temido bandido do sertão brasileiro, era um dos indivíduos mais cruéis que alguém já conheceu...” Foi, de pronto, interrompido pelo velhinho que, com autoridade corrige a frase.
- Mentira! Lampião não era perverso e nem bandido! Você não o conheceu pra dizer isso! “Corta!” Bradou o suposto Diretor, sob o olhar surpreso de todos e furioso por ter perdido a seqüência da filmagem e olhando o velhinho por um instante, com o indicador nos lábios, indicando silêncio, volta a se concentrar em seu trabalho. “Vamos repetir a cena e a fala. Câmara, Luz, Ação!”
- “...Na realidade, diz a história, o Rei do Cangaço, costumava matar inocentes e indefesos, como represálias às investidas da polícia”. O velho dá um passo à frente e, dedo em riste, retruca novamente.
- Não senhor!...O diretor brame outro “Corta!” e o velhinho continua...Virgulino era um homem justo. Embora valente e enérgico, mas justo. Ah, se esse país tivesse mais homens como ele! Alguém no meio da equipe, provavelmente o responsável pela equipe, interrompe tudo e assume o comando dos trabalhos cinematográficos.
- Um momento! Fala erguendo a mão esquerda e olhando o velho, atentamente, indaga ao grupo...será que vocês não perceberam que podemos estar diante de um precioso achado? Põe a mão direita no ombro do velho, enquanto todos o cercam curiosos, passando agora a dar-lhe a devida atenção, enquanto pergunta.
- Quem é o senhor?...o que sabe sobre Lampião?
O velhinho olha atento e, antes que possa responder, aparece alguém com uma cadeira, na qual quase lhe jogam sentado e, já sob as lentes da câmera, desconfiado, mas querendo ainda contestar a história, pigarreia a garganta enquanto lhe pedem pra falar.
- Bem, já que vocês insistem...mas, a história é diferente, ouviram bem?
- Isso vovô, pode contar o que sabe. Todos ficam atentos, aguardando o velhinho.

Surge um close no rosto do velho que abre um largo sorriso nervoso e sob a fumaça duma grande baforada em seu cigarro, seus olhos agora vêm uma cena de sessenta e pouco anos atrás. O tempo lhe jogou para um passado....(Continua).

O PUNHAL DE LAMPIÃO

O Punhal de Lampião
(A Historia que não foi contada)
Juarez Chagas
II Parte
História ou Estória?...

...Tudo começa, como num passe de mágica...ele agora está nas redondezas de Martins, vizinho às regiões serranas do Rio Grande do Norte, no meio do sertão, trilha eventual do bando de Lampião, quando transitava entre as terras da Paraíba, Pernambuco e Ceará.
- Tá vendo aquele pé de manga? Pergunta ZéRaimundo, um rapaz robusto, de 16 anos, apontando o indicador.
- Tou sim...Responde Maria da Cruz, uma linda morena de 15 anos, dividindo o olhar entre a árvore e o rapaz.
- Pois bem, quem chegar lá por último, dá um beijo no outro.
- Pois, tá bom...responde ela, meio desconfiada.
- Então lá vai...um, dois, três e JÁ!!! E os dois se largam em disparada, com ele chegando primeiro, como era de se esperar. Não foi nem preciso ele cobrar o esperado beijo. Embora, um pouco tímida e ambos cansados, se aproximaram e, no meio da respiração de ambos, ainda ofegante, tanto pelo esforço da carreira como pela emoção do primeiro beijo, suas bocas se encontram lentamente e, de súbito, o arrebatador beijo. Há tempos que os dois se olham no grupo escolar onde freqüentam duas vezes por semana. Ambos perdem o fôlego e por um instante nada falam, até que ela quebra o silêncio.
- Você gosta mesmo de mim, ZéRaimundo?
- Mas, ôxente menina...gosto demais da conta. Ela não espera que ele diga mais alguma coisa. Justificar
- A gente vai se casar, num vai ZéRaimundo?
- Mas, claro que vamos...olha, eu tenho uma coisa pra te dar. Eu mesmo fiz. Puxa do bolso um colar de tiras couro de boi bem trabalhado e curtido a capricho e, cuidadosamente põe em volta do pescoço dela, que abre um belo sorriso.

Mas, aquele momento mágico estava com os dias contados. Dia seguinte, o lugarejo nos arredores da Serra Grande é atacado por um grupo do bando de Lampião, que acampava por aquelas bandas. Estavam de passagem para Mossoró e Virgulino tinha ido à cidade das Quatro Torres sondar, pois pretendiam saquear, mas que dessa vez seria apenas uma vistoria pelas vizinhanças da famosa capital do Oeste. Os cangaceiros que tinham ficado acampados invadem bodegas, o botequim e o armazém com seus suprimentos. Roubam, além dos cereais e outros pertences da comunidade, algumas mulheres e, entre elas, Maria da Cruz. Na verdade, o ataque acontece sem que Lampião soubesse, pois o mesmo tinha ordenado que os homens aguardassem seu retorno e esperassem suas ordens, para dar prosseguimento à viagem.

Durante o ataque, ZéRaimundo, da janela de sua casa, onde mora com uma tia que se encontra ausente, vê atônito a confusão e o pânico das pessoas correndo, fechando suas portas e janelas e escapando como podem. No momento em que os cangaceiros saqueiam e roubam as mulheres, ele sai correndo desesperadamente, quando vê Maria da Cruz ser apanhada e jogada na garupa do cavalo de um deles. Corre em disparada, desvencilhando-se dos cavalos, que tropeiam e circulam aleatoriamente, tenta socorrê-la, pois ela já estava no cavalo de “Araruta”, que no momento chefia o bando. Quando este percebe a investida louca do rapaz, desfere uma violenta coronhada com sua espingarda, em sua testa, a qual é imediatamente banhada por um vínculo de sangue que lhe escorre a face, fazendo-o cair praticamente desfalecido.

- Vou enchê esse fio d’ua égua de chumbo agora mêrmo!! Esbraveja Araruta, rodopiando seu cavalo e mirando a cabeça de ZéRaimundo, que se contorce no chão.
- NÃÃOO!! Grita Maria da Cruz, desesperada, na garupa, desviando o cano da espingarda num esforço inesperado, enquanto o tiro detona, acertando o ombro esquerdo do
rapaz que, já fulminado acaba por desfalecer. O cangaceiro, revoltado, desfere um violento
tapa no rosto da moça, fazendo-a desmaiar e pender o corpo em direção ao seu. Em seguida, grita para o bando e dá ordem de retirada, saindo todos aos gritos e tiros, em disparada pela estrada afora, desaparecendo nas capoeiras.

Após todo o alvoroço, volta à calmaria no lugarejo sob a imagem de um lugar completamente destroçado. ZéRaimundo é levado para o povoado mais próximo, para se tratar, mas a princípio, é tido como morto, por aqueles que aguardam seu retorno (Continua).

O PUNHAL DE LAMPIÃO

O Punhal de Lampião
(A Historia que não foi contada)
Juarez Chagas

III Parte
Dez anos se passam...

ZéRaimundo, desgostoso, não retorna mais à casa da tia e agora trabalha num armazém do povoado, cujo dono que o acolheu e dele cuidou, trata-o quase como filho. Nesse mesmo período conhece outra moça de nome Rosa Maria, que em pouco tempo por ele se apaixona. Apesar de ser correspondida, o rapaz nunca lhe negou que não esquecera seu primeiro amor e que ainda guarda esperanças de a encontrar um dia. Tem idéia fixa de se vingar, seja em que tempo for.

Certo dia, alguém lhe procura no armazém com um pedaço de papel na mão. O rapaz lê o bilhete amassado e, às pressas, volta ao lugarejo, o qual deixara há dez anos. Lá chegando, viu que sua tia que o havia criado até os dezesseis anos, estava estirada no meio da sala, morta e velada por alguns poucos amigos e suas comadres vizinhas. Nesse mesmo dia, ZéRaimundo tem notícia de que o bando de Lampião está acampado nas redondezas duma fazenda próxima e, com o coração sobressaltado, resolve averiguar. Talvez não lhe surgisse outra chance como essa, imagina.

Dia seguinte, logo cedo da manhã, ZéRaimundo é surpreendido por dois cangaceiros, que o viram bisbilhotar os arredores do acampamento do bando de Lampião, perto da tal fazenda. É preso e levado até o Rei do Cangaço. Ao chegar na roda dos cangaceiros que comem a refeição da manhã, é bruscamente empurrado para frente de Lampião que pergunta o que faz naquele lugar. Corajosamente diz que ali é sua região e conta sua história, a qual Lampião ouve com muita atenção e lhe diz que o responsável pelo roubo de sua namorada está em missão e que ele vai ter que ficar no acampamento até Araruta voltar, pra saber da veracidade da história. O sangue de ZéRaimundo gela e esquenta ao mesmo tempo. Desconfia do que lhe aguarda.
- Você é valente, cabra. Mas se for mentira o que tu tá dizendo, vai se arrepender de ter nascido. Ordena um dos cabras e manda cuidar dele.
- Dá um prato de comida pra ele e deixa ele vigiado até Araruta voltar!

Pelo menos, por enquanto estava a salvo, pensa ZéRaimundo enquanto lhe vigiam a uma certa distância.Entre as mulheres do bando havia uma moça usando o colar de Maria da Cruz, o qual ele logo reconhece assim que vê. Emocionado, ele tenta se aproximar da moça que, às escondidas, lhe dá notícias dela, dizendo que havia “morrido de parto”. A moça, de nome Imaculada, na medida do possível, passa a se encontrar com ZéRaimundo, em quem, de repente, passa a ver sua chance de escapar das garras do bando, pois também, assim como Maria da Cruz, havia sido raptada. Conta sua história, dizendo que também havia sido roubada, porém de uma distante fazenda e que Maria da Cruz havia lhe dado o colar de couro, antes de morrer. Aliás, que ela morrera em seus braços sem poder parir a criança. ZéRaimundo, entre desolação, ódio e algumas lágrimas que rolam em seu rosto, agradece a moça e se afasta, para seu lugar (Continua).

O PUNHAL DE LAMPIÃO

O Punhal de Lampião
(A Historia que não foi contada)
Juarez Chagas

IV Parte
Encontro com Araruta

Dois dias depois, Araruta retorna da missão. O rapaz o reconhece de imediato. Já havia se passado uns onze anos, embora para ele fizesse mais de um século! Por outro lado, naquele momento tudo volta à sua mente, como um verdadeiro flashback, como se fosse ontem. Lampião resolve chamar Araruta quase que de imediato. Em seguida, manda chamar ZéRaimundo também para confrontar a história do rapaz, porque um outro cabra do bando, cochicha algo pra ele, denunciando Araruta, de abuso de poder e maldade com as pessoas, passando dos limites, e de certa forma, difamando o bando de Lampião, nas missões que tem chefiado, quando Virgulino está ausente.

- Vou averiguar. Mas se for mentira cabra da peste, é melhor começar a rezar! Num gosto de quem delata amigo com mentira! Nesse espaço de tempo, ZéRaimundo, incentivado pela moça resolve fugir antes que ele vá ter com Araruta, porque passou a achar que não sairia vivo dali, nem ela também. Mas, quando os dois se dirigem sorrateiramente para se evadirem nas caatingas, surge Araruta que os surpreende. Este puxa pelo colarinho da camisa do rapaz e o esbofeteia, fazendo-o cair no chão e, antes que o mesmo se levante, seu punhal já está encostado em sua garganta, deixando-o totalmente imóvel e sem ação. A moça gela e quase desmaia, pois sabe o que vai acontecer.

- Tu vai arrenegá do dia em que nacêu cabra! Já a ponto de sangrá-lo, quando surge Lampião, interrompendo. O resto do bando vem atrás do seu chefe, para ver o que havia.
- Um momento cabra! O home é valente. Merece morrer lutando. Diz isso e olha para o cabra que havia denunciado Araruta e, arrancando um de seus punhais, de cabo de madrepérola, rebola para o rapaz, fazendo-o cair ao seu lado. Araruta pára por um instante, sem entender direito o gesto de seu chefe, olha para seus companheiros, e por intuição desconfia o porquê da ação de Lampião para com um desobediente de suas ordesn. Alguém deve tê-lo denunciado, imagina. ZéRaimundo olha Lampião, a moça e Araruta. Um flashback mais rápido que os outros percorre sua mente e ele não vê mais ninguém, apenas ele mesmo correndo para salvar Maria da Cruz, recebendo a violenta coronhada, caindo no chão e o tiro seco zoando em sua cabeça e atingindo-lhe o ombro. ZéRaimundo rola rápido e pega firme o punhal e se põe em pé e em frente a Araruta. Os cangaceiros fazem um círculo devagar. Agora, os dois armados começam a rodar, ambos de braços estendidos, de punhais na mão, guardando distância entre si, num ritual de morte, onde apenas um sairá vivo dali. ZéRaimundo, após receber algumas cutiladas, consegue num golpe de sorte, após uma esquiva rápida, em que Araruta fica totalmente exposto à sua frente com o punhal que riscou um golpe no vazio, espeta o peito esquerdo do cangaceiro que, após um baque surdo, dá seu último suspiro. Araruta está morto. Os cangaceiros ficam admirados, mas nada falam. Lampião, indiferente ao ocorrido, ordena os cabras, enquanto ZéRaimundo olha todos do círculo com o punhal na mão, ainda sujo de sangue. A moça, chorando, corre a lhe conferir os ferimentos, para ver se não são fatais. Aliviada, o abraça em soluços.

- Levem o corpo dele daqui e enterrem com todos os seus pertences! Dessa vez ninguém divide nada nem fica com nada dele! Dito isso, dirige-se para o cabra que “dedurou” Araruta e fala que a partir daquele momento ele é seu substituto. Em seguida, volta-se para o rapaz, que dá um passo à frente, olha o corpo sendo arrastado, estende a mão para Lampião, entregando-lhe o punhal de volta.

- E você cabra, a partir de agora faz parte do bando! Não pode mais abandonar o grupo. Foi justo, mas matou um dos meus homens mais valente. Talvez tenha evitado que eu mesmo tivesse feito isso. Mas não podemos ter nenhuma baixa agora. Os macacos são muitos. Fala isso olhando para ele e para o punhal e completa.
- Pode ficar com ele. Com certeza ainda vai salvar tua vida outra vez (Continua).
O Punhal de Lampião
(A Historia que não foi contada)
Juarez Chagas

V Parte
Um Novo Cangaceiro e o fim de Lampião

O tempo passa e ZéRaimundo agora faz parte do cangaço, até que um dia cedinho o bando parte para o que seria sua última batalha. O dia era vinte de Julho, o ano Trinta e Oito. Depois da derrota do bando de Lampião, em Mossoró, 6 anos atrás, os cangaceiros andavam mais precavidos. Mas, mesmo assim, Lampião organiza-se para ir a Pernambuco pela última vez, sua terra natal. Só depois iria para a Grota do Angicos, já em Sergipe, para uma trégua de alguns dias, onde descansaria e estudaria com calma suas novas estratégias de combate aos “macacos”. Ordenou a ZéRaimundo que ficasse tomando conta do acampamento, como era de costume, enquanto o resto do cangaço partia para distante missão. . De repente, pensava ele, seria mais um teste de confiança de Lampião, pra ver se ele fugia, em sua ausência, com a moça? Afinal, já fazia mais de ano que ele estava no bando, após a morte de Araruta, mesmo que nunca tenha participado de confronto algum com os macacos ou outros ataques do bando. Aprendera a atirar e reconhecer pistas, muito bem, porém sempre muito observado, de perto ou de longe, pelo próprio Lampião.
- “É mais fácil eu dizer na cara dele que vou m’embora do que fugir pelas suas costas...” Respondia ele a seus próprios pensamentos.

Uma semana depois de atravessar o Rio São Francisco, vindo de Alagoas, Lampião acomoda-se na Grota de Angicos, seu mais seguro esconderijo e, portanto, o preferido dentre os demais, pois nem jagunços mais espertos que procuravam se juntar ao bando de cangaceiros conseguiam encontrá-lo por aquelas redondezas sem ajuda de algum coiteiro de confiança.

Naquela manhã de vinte e oito de Julho de 1938, Lampião sai de sua tenda na Grota de Angicos, com uma caneca na mão, acompanhado de Maria Bonita, para lavar o rosto e olhar o ambiente. Ele jamais poderia desconfiar que o local estivesse cercado por 50 soldados da tropa do tenente João Bezerra, da policia de Alagoas, ajudado por um coiteiro traidor de nome Pedro Cândido, que conhecia bem o lugar e era da confiança de Lampião. E certamente, tinham cercando o lugar na calada da noite. Havia trinta e quatro cangaceiros no esconderijo, mas todos foram surpreendidos de tocaia, a menos de seis metros de distância, pelos soldados entrincheirados, com fuzis e metralhadoras. Lampião levou um tiro mortal e caiu já praticamente morto, enquanto Maria Bonita caiu sobre seu corpo na tentativa de protegê-lo e foi também crivada de balas. Quase todos foram assassinados! Apenas alguns conseguiram escapar, os quais depois se juntariam ao bando de Corisco, que por sua vez, tentaria vingar a morte de seu mentor. Mas, o massacre não acabou simplesmente com a morte de Lampião e seus cabras, pois friamente tiveram suas cabeças decepadas, exibidas como verdadeiros troféus, em vários Estados brasileiros. Era preciso mostrar a força do governo ao povo, através da polícia...

Dois dias depois do horrendo massacre, ainda no distante acampamento estratégico, ZéRaimundo e Imaculada, depois de ouvirem por todo canto sobre a morte de Lampião e seus cabras, sem que ninguém visse ou soubesse, conseguem chegar a Grota de Angicos. Ali encontram todos os indícios do impiedoso massacre e o chapéu de Lampião, esquecido num canto do mato. Depois de verificarem tudo, os dois procuram sair dali o mais rápido possível.

Ao voltarem por outro lugar totalmente desconhecido para eles, porém comum para o bando de Lampião, ironicamente passam, sem perceberem, nos arredores à beira do caminho, por uma cruz de madeira, enfincada numa cova, com o seguinte escrito: “Maria da Cruz, mulher de Araruta”. Nesse dia, o vento sopra forte, sibilando, aplacando o calor do sertão (Continua).

O PUNHAL DE LAMPIÃO

O Punhal de Lampião
(A Historia que não foi contada)
Juarez Chagas


VI Parte
Mais vale um punhal na mão do que dois na cintura...

Voltando ao presente, repentinamente, foi como se os olhos do velho agora voltassem do passado e pudessem ver o momento e todas aquelas pessoas ao seu redor, ouvindo sua história. Foi como se estivesse acordado de um sonho distante, como se estivesse sedado pela memória do tempo. O Diretor das filmagens, sorrindo lhe faz a seguinte pergunta.
- Pra terminar...o senhor tem alguma prova do que está dizendo, ou algo que pertenceu a Lampião e que não esteja aqui neste museu? Um membro da equipe começa a balançar a cabeça e fala, contestando a pergunta.
- Ora, ora...nada a ver, cara. Quer prova mais que essa história? A equipe vibra e começa a bater palmas, aplaudindo. E todos parecem comemorar o grande achado.
- Demais, pessoal! Foi a surpresa do ano! Vamos mesclar nosso roteiro com essa história real, já que ficção e realidade sempre caminham juntas. Já tenho até o título na cabeça: “Lampião, a história que não foi contada!”. Mais palmas se ouve, enquanto o velhinho aproveita o momento de euforia de todos, para sair dali de mansinho. Aquela euforia besta não lhe interessa. E realmente consegue sair sem ser notado.

O velho ainda não acabara de descer as escadas do museu, quando é abordado por dois trombadinhas, de canivetes em punho e dois pares de olhos assustados, lhe abordando.
- É um assalto vovô. Passa a grana. Passa!! O velhinho olha os dois trombadinhas e, de repente, saca um punhal por dentro da cintura (de cabo de madrepérola) e mostra para os dois rapazolas que, pasmos olham o punhal e, sem querer, comparam com seus pequenos canivetes. Entreolham-se por um instante e “desabam” em disparada, gritando mamãe. O velhinho olha para o punhal com um sorriso silencioso e diz a si mesmo.
- “Mas, certamente não me salvará da terceira, Virgulino” .
Ele estava certo, pois dois dias depois, após nossa última conversa, tem um infarto fulminante e morre como um bravo. Seu punhal, o punhal de Lampião me foi dado por ele mesmo como lembrança. Até parece que sabia que ia morrer...

Pra terminar, dizem que sou um bom contador de estórias e histórias e que às vezes, misturo uma com a outra, fato comum hoje em dia. Todavia, se o leitor for bem informado, vai saber diferenciar a história na ou da estória e vice-versa.

Mas, o mais importante dessa narrativa, é que, em nosso Estado do Rio Grande do Norte, não foi somente Mossoró que enfrentou Lampião, como muitos dizem. Pois, vindo da Paraíba, pra chegar até lá, Virgulino e seus capangas passaram por muitos lugares do Estado. E, com certeza, não apenas rezaram para o Padrinho Padre Cícero do Juazeiro, no meio do caminho, não. Prova disso foi meu amigo ZéRaimundo que, embora hoje cantado em cordel e contado em ficção, não somente enfrentou o cangaceiro, mas também conviveu com ele, embora levado pelas circunstancias da vida.

Meu nome é Adelino Sebastião. Mas, não adianta dizer o nome de batismo, pois todo mundo só me conhece como Bastião da Serra Grande, o contador de estórias. Sou mesmo, com muito orgulho e o quê que tem?

FIM