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29 de jul de 2011

O PROFESSOR AO LONGO DO TEMPO I


* Juarez Chagas

"Este artigo faz parte de uma série de textos sobre a personagem do PROFESSOR, sobre o qual discorro em narrativas diversas (sem comprometer a sequeência ou nao da leitura) ao longo de sua trajetória, espaço e tempo. Espero que tenh(m) uma boa leitura".

Dentre alguns temas comumente abordados em nossos artigos, numa determinada e livre sequência, permearemos os mesmos com um dos assuntos mais importantes (infelizmente, igualmente menos valorizado do ponto de vista social) que é a profissão e função de professor.

Começo por dizer que, desde os primórdios que essa nossa tão nobre e acalentadora e deslumbrante função e profissão, porém tão desprestigiada, desvalorizada e relegada, pela sociedade através de seus poderes públicos e constituídos (apesar de a usarem como falsa bandeira de persuasão para conquista de intentos outros), já começou, na visão popular e debochada, perdendo seu posto de 1ª profissão mais antiga para a aclamada profissão da prostituição. Que não que se discrimine ou se julgue a tradicional profissão do sexo, mas convenhamos, todos sabem que ensinar e educar foi a primeira profissão da humanidade.

A beleza, a nobreza, o humanismo e tudo de bom que o ensino possui dentro de sua função de ensinar antecede ao processo de criação de escolas e das primeiras instituições educadoras da história da humanidade. Antecede inclusive, ao advento da escrita, pois a oralidade e outros meios de comunicação primordiais formaram os primeiros ensinamentos do homem para o homem e, depois, para a comunidade e depois para o mundo que, cada vez mais requeria comunicação entre si, mesmo nos tempos arcaicos.

O registro que temos sobre os primeiros “sistemas” de ensino decorre das antigas civilizações que, por necessidade, identificavam pessoas com a habilidade de transmitir ensinamentos diversos. No Egito antigo, por exemplo, a função de escriba já vislumbrava a organização das primeira “escolas”. Já na Esparta, a iniciação da “educação” dava ênfase ao aprimoramento das habilidades marciais para os meninos e a orientação quando as mulheres estivessem aptas para a procriação, para gerarem filhos saudáveis que seriam futuros guerreiros.

Mas, parece ter sido em Atenas que surgiu a idéia de que o conhecimento deveria ser transmitido por uma pessoa sábia chamada de Tutor ou Professor, o qual era designado para acompanhar os ensinamentos de pessoas individuais ou em pequenos grupos. Hoje se sabe que os atenienses eram, antes de tudo, preocupados com o equilíbrio entre corpo e mente, e por essa razão sua educação contou com três tipos básicos de profissionais do ensino: os páidotribés, que cuidavam do desenvolvimento intelectual; os grammatistés, responsáveis pelo repasse da escrita e da leitura; e os kitharistés, que cuidavam do aprimoramento físico.

Já a Roma Antiga, constituiu o papel de educar através dos “retores” (não confundir com reitores, embora haja a sugestão) que, assim como os sofistas gregos, circulavam pelas cidades transmitindo seus conhecimentos em troca de compensação financeira incerta (observemos que já, a partir daí, a situação financeira não era boa).

Também, podemos citar a presença dos lud magister, que desempenhavam a função de alfabetizar as crianças que não tinham uma condição material mais abastada. A propósito, nota-se aí já uma preocupação social com o conhecimento para todos.

No nosso próximo artigo, continuaremos acompanhando a árdua, penosa, porém instigante profissão de Professor. Vale a pena acompanhar, principalmente quem é da área do ensino

* Professor do Centro de Biociências da UFRN, Psicólogo e Escritor

O PROFESSOR AO LONGO DO TEMPO II


*Juarez Chagas

“Este artigo faz parte de uma série de textos sobre a personagem do PROFESSOR, sobre o qual discorro em narrativas diversas ao longo de sua trajetória , espaço e tempo. Espero que tenha uma boa leitura”.

Socialmente falando, a função (e não ainda a profissão) de professor, foi se consolidando aos poucos, à medida que sua importância ganhava espaço na própria família, nas comunidades e, finalmente, na sociedade como um todo.

É compreensível e oportuno que alguém pergunte, ou queira saber, como surgiu a figura do professor, como ela se estabeleceu e como a sociedade, em seus primórdios já via sua importância, mas já negligenciava seu valor, apesar do reconhecimento de sua importância. É claro que a transmissão do saber através da família e gerações teria que ter início com alguém capaz de repassar conhecimentos com propriedade e capacidade para que este mesmo conhecimento permanecesse difundido entre as pessoas a ponto de ganhar instituições que dele cuidasse e zelasse, o saber.

Parece ter sido no início do período medieval, que a questão do mundo do conhecimento passou a ser disputada e controlada pelas instituições religiosas cristãs, as quais foram responsáveis pela constituição das primeiras universidades, mesmo de forma básica e linear.

Na verdade, a Igreja sempre teve poder sobre o Estado em várias questões, principalmente nos seus primórdios e, no que diz respeito à educação e transmissão de conhecimentos este ponto sempre foi mais enfático. É importante frisar que não estamos discutindo aqui benefícios ou malefícios desta questão ou deste poder, porém a atuação da Igreja neste processo de transmissão de conhecimento e, fundamentalmente, sua importância no processo de formação de professores, em especial nas áreas filosóficas e teológicas.

Ainda sobre a referência religiosa no ensino, sabe-se que, historicamente no Brasil, o domínio clerical sobre as instituições de ensino terminou depois que o Marquês de Pombal resolveu expulsar os jesuítas da colônia.

Com essa atitude, a própria Coroa resolvia quem poderia exercer funções pedagógicas ou as funções de professor. A propósito, é importante pontua que a profissionalização do educador brasileiro começou teve início a partir de 1835, pois foi nessa época quando a primeira escola de educadores foi criada na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro.

Na realidade, nessa ocasião da era pombalina persiste o panorama do analfabetismo e do ensino precário, agravado com a expulsão dos jesuítas e pela democracia da reforma instituída por Marques de Pombal. E assim, a educação fica a deriva durante esse longo período do Brasil colônia, aumentando mais ainda o fosso entre os letrados e a maioria da população analfabeta. Já tínhamos aí, grande diferença social estabelecida

*Profesor do Centro de Biociências da UFRN, Psicólogo e Escritor

E AGORA DOUTOR? (O PROFESSOR AO LONGO DO TEMPO III)


*Juarez Chagas

Retomando à série de artigos sobre trajetórias, conjecturas, passagens e até aventuras a respeito do difícil e árduo, porém nobre, papel do professor no contexto social ao longo do tempo, comento hoje, um desses e-mails tipo “corrente” que acabo de receber de uma indignada professora universitária, sobre o título de Doutor Honoris Causa, récem-outorgado (e outra a ser concedido) a Luís Inácio Lula da Silva, ex- presidente do Brasil.

A professora (cujo nome preservo) é seguida por inúmeros e inúmeras colegas Brasil a fora, todos eles indignados e repassando o e-mail nas redes sociais e pessoais.

Dentre as causas de indignação pela outorga do título ao ex-presidente, ressalva-se no e-mail a vaidade do ex-governante em dizer que nunca leu um livro (talvez agora leia o de sua biografia) ou não ter precisado possuir diploma universitário para ser Presidente da República; ter concedido ridículos reajustes salariais aos professores universitários (conseguidos sempre graças a longas greves) e ter arrogantemente, lembrado várias vezes que não é preciso ter diploma universitário para ser Presidente da República; sob seu governo, os professores universitários tiveram ridículos reajustes salariais, conseguidos sempre graças a longas greves.

A mensagem ainda diz que o Reitor da UFPB e todos os outros conselheiros que foram e são favoráveis a tal homenagem sem senso crítico, apenas provam que são servis ao partido que está no poder e à bajulação e que têm pouco zelo pela titulação acadêmica e em troca de algumas verbas (obrigação do governo federal para manutenção, ampliação e aperfeiçoamento das universidades federais) esquece que o ex-presidente atropela a Língua Portuguesa, que dá péssimo exemplo como incentivo à leitura e faz vista grossa à corrupção, levando-o a defender, em inúmeras ocasiões, todos aqueles que foram acusados ou suspeitos de corrupção, sugerindo às novas gerações que ser corrupto é bom, então por que tornar-se "Honoris Causa"?

Por outro lado, recentemente (já após ter deixado o governo) Lula foi agraciado com o mesmo título por uma das instituições mais tradicionais do mundo, a Universidade de Coimbra. Então cabe a pergunta: merece ou não merece o título “Doutor Honoris Causa”, o iletrado Luís Lula Inácio da Silva, ex-presidente do Brasil?

Em seu discurso, Lula disse considerar indispensável uma nova governança global, que passa por uma mudança no Conselho de Segurança das Nações Unidas e, dedicou o título ao seu Vice-presidente, recentemente falecido, José de Alencar.

"A educação foi o novo projeto da política de educação do Brasil. É com imensa honra que recebo o título de doutor 'honoris causa' da Universidade de Coimbra. A casa mais prestigiosa do saber de Portugal e da Europa. A Universidade de Coimbra foi referência para o meu país". O ex-presidente disse, ainda, que o título "honoris causa" recebido por ele significa um reconhecimentro às causas que o Brasil tem defendido no cenário internacional.

Já a professora cuja contestação gerou o email divulgado em corrente tem seu firme ponto de vista, o qual defende veementemente: ainda não vi meus colegas se pronunciarem sobre esse lamentável incidente de equívoco acadêmico.

“Só espero que não apareça algum professor doutor falando contra as elites intelectuais e em democratização da universidade, para justificar a bajulação e o servilismo. Antes que alguém tenha o trabalho de dizer: sou elite intelectual, sim. Sou Doutora em Letras, porque estudei muitos anos para isso. Li e leio muitos livros e já publiquei alguns.Sou acadêmica e sou contra a deterioração dos valores acadêmicos. Tenho zelo pelo diploma de doutorado que fiz por merecer, estudando, lendo, pesquisando e buscando formar outros intelectuais. Se ter cultura, formação universitária, inúmeras publicações (livros, artigos, trabalhos em congressos nacionais e internacionais, CDs de dados), ter lecionado na França e em mais de uma universidade brasileira, ter senso crítico, respeitar os valores universitários, é ser elite, então sou elite e não gosto de ver a mediocridade intelectual pontificar com diploma de doutor.

Não é por Coimbra ter colocado no seio de seu egrégio colégio de doutores um sujeito que tem orgulho de nunca ter lido um livro, que vou aceitar que a UFPB vulgarize os títulos acadêmicos”.

Só pra lembrar, Honoris causa é uma locução latina ("por causa de honra") usada em títulos honoríficos concedidos por universidades a pessoas eminentes, que não necessariamente sejam portadoras de um diploma universitário, mas que tenham se destacado em determinada área (artes, ciências, filosofia, letras, promoção da paz, de causas humanitárias, etc), por sua boa reputação, virtude, mérito ou ações de serviço que transcendam famílias, pessoas ou instituições.

Historicamente um Doutor honoris causa (ou Doctor honoris causa) recebe o mesmo tratamento e privilégios que aqueles que obtiveram um doutorado acadêmico de forma convencional, a menos que se especifique o contrário. E, parece ser nesse ponto que, o Lula é questionado. A propósito, na longa trajetória do Professor ao Longo do Tempo, ainda vamos ver e ouvir muita coisa.

*Profesor do Centro de Biociências da UFRN, Psicólogo e Escritor