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11 de dez. de 2013

Mandela, Mito vivo, Lenda morto.
*Juarez Chagas

         
Morreu neste dia 5 de Dezembro o pacifista africano Nelson Rolihlahla Mandela (1918-2013), aos 95 anos, o primeiro presidente da África do Sul, a ser eleito num processo completamente democrático. Carinhosamente chamado de Madiba ou Tata (Pai), era referendado como “O pai da Nação”, por quase uma nação inteira. Mandela foi um revolucionário antiapartheid e dedicou sua vida à causa social do seu povo, pois era Politicamente um nacionalista e democrata socialista.
         
A morte de Mandela, primeiro presidente negro da história sul-africana, traz uma profunda reflexão para o Mundo e, prova categoricamente, que ainda temos heróis e mitos que, infelizmente quando vivos, nem sempre recebem os méritos merecidos, para que deles possa se orgulhar e transformar em lições vivas para todos os Continentes.
         
Estudou Direito nas Universidades de FortHare e Witwatersrand e, envolvido em algumas organizações políticas a favor dos Direitos Humanos, tornou-se um político “anticolonial” de onde, a partir daí, fundou “A Liga da Juventude”, um importante marco histórico inicial para sua trajetória. Também começaria as perseguições, pois trabalhando como advogado foi várias vezes preso como suspeito de atividades clandestinas e contra o governo, mas foi por causa da campanha contra o apartheid que ele foi condenado, praticamente à prisão perpétua, em 1962. Entretanto, depois de 27 anos confinado na prisão, uma campanha internacional para sua libertação foi coroada com êxito e ele solto em 1990. Assim, começava sua vitoriosa carreira política e reconhecimento internacional, pois se aliou ao presidente F.W.de Klerk para abolir o apartheid e criar eleições multirraciais, em 1994, através da qual se tornou o primeiro Presidente negro da África do Sul. O resto da história é o que o mundo sabe.
         
Para o mundo político, Mandela era uma figura muito humana e controversa. Denunciado como Terrorista Marxista, por grande parte da crítica, mas mesmo assim era aclamado internacionalmente por sua luta, através da qual foi laureado com quase 300 honras, tendo sido o Prêmio Nobel da Paz, uma das mais representativas.
         
Por tudo que o político, ativista e homem Mandela foi, deixa um legado não apenas para o mundo, mas para o coletivo e o individual, fazendo com que pessoas e nações pensem positivo e que praticar o bem e combater o mal, a miséria, a ganância e tudo que denigra o ser humano, sejam práticas justas e incansáveis que cada um deveria defender e carregar dentro de si.
         
É interessante observar que, talvez somente através da morte, o ser humano passa a, verdadeiramente, refletir sobre sua condição humana e os caminhos que o conduz na trajetória da humanidade. E aí, nesse contexto, lembro da música de Bob Dylan, Blowing in the Wind, cuja estrofe pergunta “quantos caminhos deve o homem percorrer, até que você o chame de homem?...quantas vezes o canhão tem que disparar, até que levantem a bandeira branca?...a resposta, meu amigo, está soprando com vento, a resposta está soprando com vento”.
         
Nelson Mandela faleceu dia 5 de Dezembro e será enterrado em seu vilarejo natal, Qunu, no dia 15 de dezembro, para que, não somente sua nação, mas o mundo lhe preste as merecidas homenagens de Homem de Estado e um dos líderes da Paz. Ontem, cerca de 100 chefes de Estado e de governo estiveram presentes no estádio FNB de Soweto ao ato religioso por Nelson Mandela, que morreu em sua casa de Johanesburgo de complicações cárdio respiratórias. Mandela, a exemplo de grandes homens transformados em mitos e lenda, como Mahatma Ghandi, Martin Luther King e John Kennedy, pra citar somente estes, teve seu sonho realizado ainda em vida, o seu maior presente.
         
Dentre estas autoridades, a presidente Dilma Rousseff acenou Mandela como a principal personalidade do século XX, enquanto o mais aplaudido e ovacionado dentre todos foi o presidente americano Barack Obama, o qual com segurança e objetividade disse duas frases que resumem a importância de Mandela para o mundo:" ele conseguiu mais do que se poderia esperar de qualquer homem" e “Mandela me fez querer ser um homem melhor”. Mandela conseguiu o que poucos conquistaram. Já era um mito em vida e transformou-se em lenda, morto.
         
Na verdade, acho que nós simples mortais deveríamos todos nos revestir dessa reflexão do bem, do melhor, da solidariedade e do amor entre as pessoas, sem ser necessário a morte de um líder ou herói para que vejamos isso.


*Professor do Centro de Biociências da UFRN (Juarez@cb.ufrn.br)

3 de out. de 2013

Fábulas (II)
*Juarez Chagas
       

Depois de Esopo (sobre o qual discorremos no artigo passado) Fedro é o nome mais autêntico para continuar a narrar sobre fábulas que tanto marcaram os clássicos. Fabulista romano, Fedro, cujo nome completo era Caio Júlio Fedro (Gaius Iulius Phaedrus), nasceu na Macedônia, Grécia, tendo sido filho de escravos e, por suas qualidades e inteligência, dizer ter sido libertado pelo imperador romano Augusto. 
 A fábula, é uma pequena narrativa, a qual serve para ilustrar algum vício ou alguma virtude cuja conclusão narrada, invariavelmente conclui com uma lição de moral ou um análogo exemplo, com significado de aprendizado. Em sua grande maioria, as fábulas retratam personagens como animais ou criaturas imaginárias (criaturas fabulosas), representando alegoricamente traços de caráter (negativos e positivos), de seres humanos, porém ilustrados com animais ou seres mitológicos.
As fábulas de Esopo (nenhuma escrita, mas transmitidas oralmente) foram enriquecidas e divulgadas estilisticamente por Fedro na literatura latina com intuito de aprendizagem, fixação e memorização dos valores morais do grupo social, enfatizando por sua vez as sátiras, tratando das injustiças, dos males sociais e políticos, expressando as atitudes dos fortes e oprimidos. Por esse motivo é que teve tanto sucesso, mesmo séculos depois.
Fabulista da época dos imperadores Tibério e Calígula, nos primeiros séculos da era cristã, e seguidor de Esopo, satirizou costumes e personagens da época e com suas críticas, causou grande incômodo e acabou sendo exilado por causa disso.  
Talvez, nossa sociedade moderna com tanta injustiça e desmando, especialmente por parte de quem mais detém poderes sobre o povo (como se parte dele não o fosse), necessitasse de fabulistas retóricos e corajosos para que, com suas fábulas e sátiras, metaforicamente (já que na maioria das vezes denúncias cabais em nada resultam), denunciassem as injustiças emanadas desses poderes que só valem para uns e quase todos, não.
Vejamos uma rápida fábula de Fedro que ilustra muito bem a ganância do poder que tanto mal causa, inclusive ao próprio ganancioso.
“Enquanto um cão, nadando, levava um pedaço de carne por um rio, viu sua imagem no espelho das águas e, cuidando que outra presa era levada por outro cão, quis tirar-lhe: porém a avidez foi lograda, e não só soltou a comida que tinha na boca, mas muito menos ainda pôde alcançar a que desejava”. Moral da história: quem tudo quer tudo perde.

*Professor do Centro de Biociências da UFRN

25 de set. de 2013


                       FÁBULA
                           *Juarez Chagas



          Antigamente, muito antigamente ao longo do tempo da sociedade humana, era costume se usar fábulas para ilustrar exemplos remetidos ao momento presente, como conselhos ilustrados. Além de erudito, era um hábito divertido, pois propositalmente metafórico, o final de uma fábula era sempre aguardado com surpresa, mas também como expectativa de uma charada.

Fábula  do Latim fabula, "história, jogo, narrativa", literalmente "o que é dito, na verdade é um conjunto de composições literárias onde os personagens são animais que apresentam características humanas, tais como a fala, os costumes, situações sociais, etc. Porém, o mais interessante é que a história termina com um ensinamento moral de caráter instrutivo e, algumas no final são concluídas com ênfase da frase: “moral da história”...
         
Na verdade, a fábula é um gênero narrativo que surgiu no Oriente, mas foi particularmente desenvolvido por Esopo, escravo que viveu no século V a.C., na Grécia, tendo sido atribuído ao mesmo um conjunto de grandes histórias, de caráter moral, alegre e alegórico, cujos principais personagens eram protagonizados por animais ou mitos com poder de pensamento, fala e ações.
         
Nesse mundo de fantasia, Esopo, criava diálogos entre os bichos e procurava transmitir sabedoria de caráter moral ao homem, através das situações que os envolviam. Assim, os animais, nas fábulas, tornam-se exemplos para os seres humanos. Ele não esqueceu certas analogias importantes onde cada animal simbolizava algum aspecto ou qualidade do homem como, por exemplo, o leão representa a força; a raposa, a astúcia; a formiga, o trabalho e assim por diante. Por ter adquirido tanta força representativa no meio social, mesmo sendo uma narrativa inverossímil, a fábula ainda pode ser vista como cunho didático.
         
Indo da descrição semântica a um tradicional exemplo, segue uma transcrição original de uma antiga fábula, denominada “O cavalo e o burro”:
          “Um burro pedia a um cavalo uma pequena porção de cevada para aplacar sua fome. Respondeu o cavalo: se me fosse permitido, dar-te-ia pela minha dignidade. Mas, quando chegarmos aos costumados estábulos, dar-te-ei como presente um saco cheio de farinha. O burrinho em resposta a este diz: Tu que negas uma coisa tão pequena, o que julgarei eu que tu hás-de fazer a mais?
         
Ou seja, se o cavalo lhe negou algo tão simples e ao seu alcance, como seria capaz de lhe dar algo de maior valor?
         
Moral da história: isso tá igualzinho à promessa de político que, através de belas palavras ludibriam seus simplórios e confiantes eleitores, com a pequena diferença de que neste particular, não é uma fábula e sim, realidade!

*Professor do Centro de Biociências da UFRN (Juarez@cb.ufrn.br)


26 de jun. de 2013

A LIÇÃO DA PEQUENA RÃ



A Lição da Pequena Rã
* Juarez Chagas
“The Frog in the well, won´t know the immensity of the sky”
                                                                          -Chinese Proverb


Tuta é uma rãzinha esperta, pertencente à classe dos anfíbios, animais que, como o próprio nome sugere, tem duas fases de vida, uma na água outra na terra, portanto, antes de conquistarem a terra como seu novo ambiente, nascem na água, onde ocorre à reprodução e suas larvas são extremamente parecidas com as dos peixes. Depois começam a crescer, perdem as brânquias, saem da água e vão desbravar a terra, seu novo ambiente de vida. Depois, sofrem profundas transformações, como pele úmida, através da qual também respiram e ganham pulmões, para respirarem no ambiente terrestre. Algumas possuem glândulas ao longo do corpo para umedecerem a pele e também afugentar predadores e outros indivíduos do reino animal, não amistosos.

Quando chega a época da reprodução, voltam à água e começa tudo de novo, num ciclo duplo de vida. É o animal mais importante no que diz respeito à constatação de uma metamorfose em tempo presente e real, de um vertebrado, sem ser preciso recorrer à imaginação paleontológica ou fósseis do passado para reconstituir espécies ao longo do tempo e, de forma presencial, acompanhar sua evolução da água pra terra.

Os ancestrais de Tuta, que eram anfíbios gigantes (até 1,20m) viviam no período carbonífero, há 300 milhões de anos atrás, segundo fósseis encontrados e como Tuta é da ordem dos anuros (sapos, rãs e pererecas) têm suas próprias características e, por isso, muitas vezes pode ser confundida com outros sapos. Ela porem é pequena e bela. Acontece que, ao chegar o inverno, é comum estes animais, após o período de acasalamento, hibernarem até a primavera. Eles se escondem em locas, fendas e buracos onde possam se proteger até o momento propício para saírem ilesos e se juntarem aos seus familiares e amigos, novamente, para voltarem às suas atividades normais de acordo com as estações do ano. O inverno e as torrentes este ano foram mais fortes do que as de costume. Vento forte, chuvas e enchentes descontroladas desmentiram previsões do tempo.  Os pequenos anfíbios começaram a se dispersar, cada um procurando um lugar para seu repouso sazonal.

Tuta sempre tivera medo de lagartos, pois a idéia que tinha dos répteis era que esses animais eram ferozes e peçonhentos e, de todas as maneiras, procurava evitá-los. Porém, ao saltar de uma pedra para outra, nota um grande lagarto preso a uma fina corda, como se alguém o tivesse prendido a uma armadilha, especificamente preparada para capturar animais desse tipo. Observa Tuta que a cabeça do réptil, até à altura do pescoço é muito parecida com a sua. Teriam sido parentes no passado? Pensou ela. Observou atentamente, o lagarto que relutava, mas não conseguia se libertar do laço que prendia seu pescoço, já marcado pelo nó que o sufocava.
 - Pobre lagarto...se eu não tivesse tanto medo, tentaria soltá-lo desse nó que aperta seu pescoço e o sufoca. Pensou Tuta, enquanto, lentamente, seguia seu caminho. Porém, seu coração de rã e a solidariedade do instinto animal a fez parar, olhar para trás e, voltar pra tentar desamarrar o laço do pescoço do ofegante réptil que, talvez por ter tanto relutado para se soltar, não tinha mais forças nem para erguer uma pata em direção à armadilha. Tuta pára a poucos centímetros do laço e, com seus dígitos (dedos) em forma de ventosas começa a afrouxar o nó do laço que, aos poucos vai cedendo, cedendo, cedendo....até que se solta finalmente!! Tuta dá um grande salto e distancia-se do lagarto que a fita com seu olhar reptiliano, mas de agradecimento agora pela liberdade alcançada. Ela resolve evadir-se enquanto ainda pode, enquanto o lagarto a observa sumir entre lajeiros e arbustos.
A tempestade aumenta, o vento sopra forte e os lagos e rios começam a encher seus leitos com uma rapidez nunca vista! Tuta, por alguma circunstância ambiental do momento, havia se abrigado numa loca mais escondida do que as de seu grupo e, portanto, mais ou menos duas semanas depois, quando chegou o momento de sair e voltar novamente à sua vida normal, deparou-se com um grande obstáculo! A entrada por onde entrara para hibernar, estava fortemente cerrada e não conseguia mais sair. Seus amigos e amigas que, viram quando Tuta escolheu aquela loca, ao passarem de volta por ela, observaram que a mesma estava completamente fechada e, certamente, imaginaram o pior ...e, a esta altura, já devem estar a caminho das margens dos rios e lagos mais próximos, que já voltaram à sua normalidade, pois o ritual do retorno à vida normal segue seu percurso com linearidade, mesmo que alguém fique para trás e não consiga acompanhar o grupo. Na vida deve-se estar sempre a favor da ordem natural das coisas e seguir as leis da Natureza é uma delas.
Como sair agora?! O que fazer?! Tuta se sentiu perdida! Em breve o oxigênio no ambiente, agora mais fechando do que antes, lhe iria faltar por completo. As reservas de gordura que seu corpo tinha, já estavam no fim e, logo, logo, não teria mais combustível para seu organismo. Suas amigas e seus amigos lá fora continuam rumo às suas vidas normais. De certo, que perceberam a ausência de Tuta, mas a lei da vida exige que tudo continue seu curso normal, apesar das perdas. Certamente, outras rãzinhas, logo se juntarão ao grupo e Tuta, será apenas uma saudade que ficaria para trás.
O grupo segue seu caminho, o qual é o topo de uma colina, com um plateau com rio e lago que, ao longo do tempo se constituíram numa reserva ecológica naturalmente virgem e inviolável, onde na primavera e verão, têm um ambiente úmido, fresco e rico em comida e lá a água é perene, pois nunca seca. Todos levarão duas semanas para escalar a colina e, finalmente, chegarem ao topo. Praticamente o mesmo tempo que ficaram hibernando.
Mas, qual não foi a surpresa para os esbaforidos e totalmente esgotados anuras, ao chegarem ao topo da colina! Quem eles vêem lhes dando boas vindas! Tuta, acenando com suas patinhas de rã, sorridente e verdadeiramente feliz! A alegria foi geral. Os abraços, os beijos e até as lágrimas (de sapos e não de crocodilos, evidentemente), foi tudo parte da festa! Felicidade geral!
Mas, como seria isso possível, se Tuta estava presa em sua loca e foi dada como morta?! Todos viram a loca totalmente fechada e sem acesso e, com tristeza seguirem sem ela o caminho para a colina. E como teria ela chegado muito antes de seus amigos que, inclusive, partiram na frente? Então, depois da calmaria e alívio de todos, ela foi inquirida a contar tudo o que aconteceu e com detalhes, numa reunião de rãs, sapos e pererecas! Era uma reunião única e certamente serviria de lição e ensinamento às novas gerações.
 - Senti-me perdida. Mais do que isso, senti-me morta! Pensei em desistir no primeiro momento...pois, não via qualquer possibilidade de, dali sair com vida. Por outro lado, percebi que não podia desistir de lutar. Tinha que lutar, pela minha família e pelos meus amigos, que sei gostariam que eu assim fizesse, nem que não obtivesse êxito. Mas, só o fato de persistir e perseverar até o fim, poderia me dar uma chance de conseguir algo. Pelo menos, a possibilidade de tentar até o fim, já seria honroso e, meus amigos se sentiriam orgulhosos de mim se assim eu fizesse.
Então, insisti. Tentei mais uma vez romper as paredes sólidas que o tempo tinha transformado em quase rocha, fechando o espaço por onde eu tinha entrado para hibernar! Então, comecei a bater contra a parede. Recuava e me jogava de encontro a ela. Pensava eu, quem sabe alguém não escute e venha ver o que é...
E, já exausta, num último alento, quase desmaiando, reuni toda a minha energia e, mesmo sabendo que seria minha ultima tentativa, pois não tinha mais forças para mais do que uma investida, me joguei contra a parede com todo o corpo e...TUMMM!!!!... Desmaiei em seguida, mas pude perceber que, este impacto tinha sido mais forte do que os anteriores. Desmaiei por segundos, imagino, pois logo em seguida ouço um barulho enorme e a parede se demolir à minha frente. Que milagre é este? Pergunto a mim mesma. Raios de luz entraram de supetão...fechei os olhos, pois, não via luz há muito tempo. Vou abrindo os olhos devagar e, para minha surpresa vejo um enorme lagarto, cuja cabeça, anatomicamente era igual à minha. Ele não tinha visto o resto do meu corpo. Talvez tenha pensado que eu também era um lagarto...Sorriu para mim com o olhar...olhar esse que me pareceu familiar. Eu continuei sem ânimo e apreensiva. Fui saindo devagar da toca e, ele ao notar que eu era uma rãzinha, quase toma um susto, e apressou-se em me tirar dali. Foi gentil e solidário e, girando as costas, esperou que eu subisse em seu dorso. Como eu hesitasse, com receio de não ser isso o que ele sugeria, parada fiquei. Ele deu ré, com dois movimentos e girando a cabeça por cima do dorso olhou para mim, como se ordenasse que eu subisse.
Nesse momento, senti que seus olhos me diziam alguma coisa. Não consegui decifrar o que era, mas senti como se fosse algo que ele agradecia. Mas, como pode alguém agradecer por poder ajudar! Ao mesmo tempo, concordei: sim, é isso! Ele agradece por poder me ajudar! Quem sabe, já não sofreu situação semelhante e por isso sente-se feliz em ajudar! Foi então que subi em seu dorso e, o lagarto (que passei a chamar, lagarto da sorte) escalou a colina, firme e gentilmente. E aqui, estou eu.
Urras se ouviu nesse momento. Risos, abraços, euforia de todos. Estava ali, a grande lição da rãzinha persistente. Exemplo para seus pares, todos os animais e, evidentemente, para nos humanos também que, muitas vezes, não são solidários com a flora, com a fauna, com o próximo e nem persistentes, muitas vezes.
Moral da história: se acreditamos e fazemos nossa parte, teremos a possibilidade da Natureza e do próximo conspirarem a nosso favor. Na pior das hipóteses, teremos a certeza de não termos falhado conosco mesmo sem nada fazer! (Extraído do livro HORIZONTES POSSÍVEIS, do mesmo Autor). 


*Biólogo, Psicólogo e Professor Universitário, também é autor dos livros: O Corpo Oculto, Nos Bons Tempos da SCBEU-Viagem nas Memórias dos Anos Dourados de Natal, articulista semanal de O Jornal de Hoje, desde 2004.

16 de mar. de 2013

CONVERSA RÁPIDA DE FINAL DE ANO



Conversa Rápida de Final de Ano
*Juarez Chagas

          Como último artigo deste ano de 2012, ao invés de abordar um dos temas que, costumeiramente escrevo para nossos leitores do JH, preferi ter uma conversa rápida com todos aqueles e todas aquelas que nos acompanharam durante este Ano, politicamente cheio de decepções em todas as esferas dos poderes, tenham sido eles judiciário, legislativo ou executivo, assim como também em todos os níveis, tenha sido municipal, estadual ou federal.
         
Esta rápida conversa é apenas para além, claro, de desejar um melhor próximo Ano, dividir também um pouco as esperanças e decepções que, não têm sido poucas, para nossa sociedade. Fosse eu citar aqui os escândalos (entenda-se APENAS os que a população tomou conhecimento ou APENAS os que a mídia se dignou a publicar) não haveria espaço pra outro assunto, infelizmente.
         
Entretanto e, lamentavelmente, mesmo numa conversa rápida e sem querer desanimar ninguém, não consigo calar diante de certos absurdos, como por exemplo, o novo “aumento” do salário mínimo.
           
Primeiro porque quem cala, consente e segundo, no mínimo somos complacentes quando fingimos que não vemos, não ouvimos e não percebemos quando algum ato denigre e diminui o ser humano, considerado comum (confesso que não sei que deu esse conceito de “ser humano comum”...)         
         
Não vou me delongar sobre o assunto pra não demonstrar a indignação além deste artigo. Quero terminar o Ano em paz, mas não compreendo e nem aceito, como nossos políticos e demais poderes constituídos que, absurdamente aumentam seus próprios salários, votam na proposta de  R$ 622,00 reais para o salário mínimo da maioria da população de nosso país! Depois ficam, hipocritamente, discorrendo, tentando justificar o “impacto” que R$ 50 reais teria para o orçamento da União. Durma-se com um “silêncio” deste!!
         
O que dizer do judiciário e dos parlamentares que aumentam descabidamente, aleatoriamente, irresponsavelmente (não poupe adjetivos!) seus próprios salários?! É só ouvir a voz do povo, excluindo os próprios beneficiados deste universo, claro.
          Mas, caro leitor e cara leitora, não consegui evitar ao que me propus quando comecei a escrever este artigo ou esta conversa ortográfica. Gostaria apenas de entregar-lhe minha mensagem de Ano Novo com apenas uma pergunta para vocês, a qual não precisam responder a mim, mas a você mesmo: “o que você tem feito para tornar o mundo melhor?!”
        
Feliz 2013 para todos e todas, especialmente rente de saúde e esperança, bens que dependem, quase que exclusivamente de nós mesmos.

*Professor do Centro de Biociências da UFRN